Candidatos reuniram aliados em diferentes pontos da capital neste sábado (22), com discursos voltados principalmente para segurança pública, desenvolvimento e mobilização eleitoral
O Rio de Janeiro foi palco, neste sábado (22), de uma disputa simbólica entre os dois principais nomes da corrida presidencial de 2026. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) realizaram atos de campanha praticamente no mesmo horário, em regiões diferentes da capital, em uma demonstração de força política e mobilização de suas respectivas alianças.
Lula participou de um comício no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste, ao lado de aliados como Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Estado, além de Benedita da Silva e Pedro Paulo, candidatos ao Senado. O evento marcou o primeiro grande ato do presidente no Rio durante a atual campanha.
Durante o discurso, Lula concentrou parte de sua fala na segurança pública, defendendo uma atuação mais efetiva contra o crime organizado, mas sem o que classificou como “pirotecnia”. O presidente também voltou a defender investimentos em educação, saúde e programas sociais.
Na área de segurança e defesa, Lula afirmou que pretende fortalecer a estrutura brasileira e voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública em um eventual novo mandato. Também fez críticas à política internacional e afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de defesa e sua soberania.
O ato também serviu para reforçar a aliança de Lula com Eduardo Paes. O candidato ao governo afirmou que os dois têm como objetivo “salvar o Rio” e destacou a necessidade de uma parceria entre o Estado e o governo federal.

Flávio aposta em discurso duro sobre segurança
Enquanto Lula discursava em Bangu, Flávio Bolsonaro participava, no Maracanãzinho, do lançamento oficial da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro.
O senador adotou um discurso fortemente concentrado na segurança pública e apresentou propostas de endurecimento do combate à criminalidade. Entre as medidas defendidas estão o aumento da pena mínima para roubo de celulares, a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e a castração química para condenados por crimes sexuais.
Flávio também criticou diretamente Lula e Eduardo Paes e afirmou que, caso seja eleito, adotará uma política mais dura contra criminosos. Durante o discurso, declarou que “bandido será tirado de circulação em pé ou deitado”, em uma das falas que mais repercutiram no evento.
O candidato também mencionou problemas relacionados à atuação do tráfico de drogas e ao uso de drones por crianças, além de prometer a manutenção do Bolsa Família e apresentar a criação do programa “Minha Primeira Empresa”.

Rio vira cenário de disputa direta
A realização dos dois eventos no mesmo horário transformou o Rio de Janeiro em um dos principais símbolos do início da disputa presidencial. Lula e Flávio escolheram o estado para mobilizar suas bases e apresentar aos eleitores suas principais bandeiras.
O movimento ocorre em um momento de disputa mais acirrada nas pesquisas. Levantamento Datafolha divulgado nesta semana aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 47%, enquanto Flávio registra 43%.
Além da disputa nacional, os atos também tiveram forte componente estadual. De um lado, Lula esteve com Eduardo Paes; do outro, Flávio participou do lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio.
Com isso, o sábado marcou não apenas mais um dia de campanha, mas uma demonstração clara de que o Rio de Janeiro terá papel estratégico na disputa presidencial e nas eleições estaduais de 2026.
