Dissidência do Povo de Israel, batizada de Primeiro Comando do Golpe, já teria pelo menos 60 integrantes identificados e provoca conflitos dentro do sistema penitenciário
O sistema penitenciário do Rio de Janeiro está sob alerta diante do surgimento de uma nova organização criminosa que pode se consolidar como a quinta facção do estado.
Batizado de Primeiro Comando do Golpe (PCG), o grupo teria surgido a partir de uma dissidência do Povo de Israel (PVI), após a morte de Avelino Gonçalves Lima, apontado como uma das principais lideranças da organização.
Segundo informações acompanhadas pela Secretaria de Estado de Polícia Penal, pelo menos 60 detentos já foram identificados como integrantes do novo grupo, que passou a disputar espaço com membros do Povo de Israel dentro das unidades prisionais.
Conflitos dentro dos presídios
A disputa entre os grupos já teria provocado episódios de violência dentro do sistema penitenciário, incluindo ameaças de morte, agressões físicas e até um incêndio em uma galeria.
A situação chamou a atenção do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro (Cperj). Durante uma vistoria realizada no Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, em São Cristóvão, conselheiros ouviram relatos de presos sobre os confrontos.
Um dos detentos afirmou ter sofrido fraturas nas costelas durante uma briga. Outros internos relataram agressões e ameaças.
Inteligência monitora crescimento do grupo
A Secretaria de Polícia Penal passou a acompanhar a movimentação por meio do setor de inteligência. Entre as medidas adotadas está o isolamento de presos apontados como integrantes da dissidência, numa tentativa de impedir que os conflitos se espalhem pelo sistema.
O temor das autoridades é que o PCG consiga ampliar sua organização e influência para além das unidades prisionais.
Quem é o Povo de Israel?
O Povo de Israel possui uma trajetória diferente das principais facções que disputam territórios no Rio. O grupo cresceu principalmente dentro do sistema penitenciário e ficou associado à reunião de presos que não pertenciam às principais organizações criminosas.
Ao longo dos anos, a organização passou a ser investigada por crimes praticados a partir das cadeias, principalmente golpes e extorsões por telefone.
Com o novo racha, autoridades agora acompanham de perto a possibilidade de o Primeiro Comando do Golpe se transformar em uma nova força do crime organizado fluminense.
Apesar de já possuir dezenas de integrantes identificados, ainda não há confirmação de que o PCG tenha estrutura territorial semelhante às grandes facções do estado. O cenário permanece em acompanhamento pelas forças de segurança.
Com informações da Secretaria de Polícia Penal, Conselho Penitenciário do Estado do Rio e imprensa.
