Equipes de resgate intensificam buscas por trabalhadores presos em túneis após enchentes e deslizamentos provocados pelo colapso de uma geleira no Himalaia

A tragédia provocada pelas enchentes e deslizamentos no Nepal continua deixando um rastro de destruição. O número de mortos chegou a 939, segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país.

Além das vítimas confirmadas, 3.925 pessoas continuam sem contato. As regiões mais atingidas ficam próximas ao rio Bhote Koshi, onde uma enorme quantidade de água, lama e pedras avançou após o colapso de uma geleira no Himalaia.

Trabalhadores continuam desaparecidos

Um dos principais focos das equipes de emergência está nos túneis de projetos hidrelétricos atingidos pela enchente. Centenas de trabalhadores podem estar presos em estruturas bloqueadas por toneladas de lama e pedras.

De acordo com informações divulgadas nesta segunda-feira, aproximadamente 933 trabalhadores de 11 projetos hidrelétricos estavam nas áreas atingidas. Equipes nepalesas, com apoio de especialistas da Índia e da China, utilizam escavadeiras, explosões controladas e equipamentos de busca para tentar alcançar os locais.

As condições são extremamente difíceis. O terreno permanece instável, há grande quantidade de detritos e existe preocupação com novos deslizamentos e possíveis inundações.

Mais de 10 mil pessoas foram resgatadas

Apesar da dimensão da tragédia, mais de 10 mil pessoas já foram resgatadas pelas equipes mobilizadas no país.

O governo do primeiro-ministro Balendra Shah colocou cerca de 21 mil agentes e voluntários nas operações de emergência. Índia e China também participam dos esforços, enquanto outros países oferecem equipamentos e assistência humanitária.

A dimensão do desastre também provocou preocupação internacional. Segundo estimativas divulgadas nesta segunda-feira, aproximadamente 90 mil pessoas foram afetadas diretamente pela catástrofe, que destruiu estradas, pontes, comunidades e instalações de geração de energia.

Risco continua

As equipes de emergência ainda enfrentam lama endurecida, rios com forte correnteza e risco de novos deslizamentos, dificultando o acesso às regiões atingidas.

Especialistas também relacionam a crescente instabilidade das geleiras do Himalaia ao aquecimento global, que aumenta o risco de colapsos glaciais e enchentes de grandes proporções na região.

As autoridades nepalesas seguem concentradas nas buscas por desaparecidos e na identificação das vítimas, enquanto comunidades inteiras tentam reconstruir suas vidas após uma das maiores tragédias naturais recentes do país.

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