Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que ex-secretário de Ambiente acompanhou votação e teria pressionado pelo avanço da licença da refinaria
A Polícia Federal identificou mensagens que, segundo a investigação, indicam uma atuação direta de Bernardo Rossi, então secretário estadual de Ambiente e Sustentabilidade, durante o processo de renovação da licença ambiental da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
As conversas foram encontradas no celular de Renato Jordão Bussiere, que presidia o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) à época, e fazem parte do material analisado pela PF no âmbito da Operação Sem Refino.
De acordo com os investigadores, Rossi acompanhava as discussões relacionadas à votação da licença de operação e recuperação da refinaria. As mensagens indicariam que o então secretário demonstrava interesse no resultado da análise realizada pela Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca).
Em uma das conversas, Bussiere teria relatado a Rossi dificuldades encontradas durante a sessão, envolvendo representantes do Ibama e da Uerj. Segundo a PF, diante dos obstáculos, Rossi teria defendido que a posição do órgão federal fosse superada durante a votação.
A investigação apura se houve favorecimento à Refit na concessão de licenças ambientais, além de possíveis crimes relacionados a lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas e outras irregularidades. A segunda fase da operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bernardo Rossi já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na segunda fase da Operação Sem Refino, deflagrada em agosto. Na ocasião, a PF investigava a possível atuação de agentes públicos na concessão de licenças para a refinaria.
Defesa nega irregularidades
Em nota, Bernardo Rossi negou qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit. O ex-secretário afirmou que sua atuação à frente da Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade ocorreu dentro da legalidade e seguindo orientações técnicas e jurídicas dos servidores da pasta e dos órgãos vinculados.
A defesa também declarou que Rossi aguarda acesso integral aos elementos da investigação para que os fatos possam ser esclarecidos. Segundo a manifestação, as decisões administrativas tomadas durante sua gestão foram pautadas por critérios técnicos e legais.
Rossi ainda repudiou qualquer tentativa de associar seu nome a irregularidades e classificou como especialmente grave a utilização das acusações durante o período eleitoral.
Até o momento, as informações divulgadas fazem parte de uma investigação em andamento e não representam uma condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade de Bernardo Rossi.
