Solo escrito, dirigido e interpretado por Matheus Macena revisita a história do estudante Edson Luís, morto durante a ditadura militar, e estreia nova temporada carioca nesta sexta-feira (9)

Depois de passar por Buenos Aires, o espetáculo “Edson” retorna ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (9) para uma curta temporada no Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa. O monólogo, escrito, dirigido e interpretado por Matheus Macena, fica em cartaz até 1º de novembro.

O retorno acontece após o espetáculo receber cinco indicações à 37ª edição do Prêmio Shell de Teatro.

Matheus Macena concorre duas vezes na categoria Melhor Ator, pelas temporadas realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O trabalho também foi indicado a Melhor Dramaturgia, com Macena; Melhor Música, com Pedro Nego; e Melhor Cenário, com Bidi Bujnowski.

“Saber que nosso trabalho tão suado toca no coração das pessoas e, para além disso, está alçado aos melhores do ano, é muito gratificante”, afirma Matheus.

O ator já venceu o Prêmio Shell em 2024, na categoria Melhor Ator, pelo espetáculo “Musical Pré-Fabricado”, de Michel Melamed.

História de Edson Luís chega ao palco

O espetáculo parte da história de Edson Luís de Lima Souto, estudante secundarista morto aos 18 anos pela Polícia Militar durante uma manifestação no restaurante Calabouço, no Centro do Rio, em março de 1968, durante a ditadura militar.

A morte do estudante provocou forte reação social e se tornou um dos episódios que antecederam a histórica Passeata dos Cem Mil, realizada no Rio naquele mesmo ano.

Em cena, Matheus mistura fatos históricos e elementos ficcionais para imaginar aspectos da trajetória de Edson Luís e de sua família.

Pai, mãe, irmã e o próprio estudante são representados no monólogo, que procura abordar aquele período da história brasileira pela perspectiva de trabalhadores de baixa renda e migrantes das regiões Norte e Nordeste.

“É inadmissível que a história do jovem assassinado pela ditadura militar e que se tornou o pivô da histórica Passeata dos Cem Mil permaneça sem ser contada”, afirma o ator.

A música executada pelo diretor musical e guitarrista Pedro Nego acompanha a narrativa.

Pesquisa começou após morte de Marielle Franco

Segundo Matheus Macena, o projeto começou a ser desenvolvido em março de 2018, um dia depois do assassinato da vereadora Marielle Franco.

O artista identificou na proximidade de 50 anos entre as mortes de Marielle e Edson Luís um ponto de partida para pesquisar episódios de violência política e apagamento histórico no Brasil.

Para desenvolver a dramaturgia, Matheus realizou pesquisas na Biblioteca Nacional, consultando jornais da época e documentos relacionados ao período.

“Conforme o processo artístico caminhava, notei que a justiça dos fatos não era suficiente. Era necessário fabular. Afinal, para um espetáculo teatral é através da poesia que se descobre dignidade”, explica.

Passagem por São Paulo e Buenos Aires

Antes da nova temporada carioca, “Edson” passou por São Paulo e, mais recentemente, por Buenos Aires.

Na capital paulista, o espetáculo também promoveu encontros e debates com pessoas que viveram episódios de repressão, tortura e censura durante a ditadura.

Agora, o monólogo retorna à cidade onde estreou para apresentações às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h.

SERVIÇO

EDSON

📅 Temporada: 9 de outubro a 1º de novembro de 2026
🕗 Horários: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 19h
📍 Local: Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa
📌 Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema – Rio de Janeiro
🎟️ Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada)
⏱️ Duração: 75 minutos
🔞 Classificação: 16 anos
📱 Instagram: @edson.espetaculo

Foto: Lucas Nogueira

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