Níveis de contaminação superam os registrados na Bélgica, na Espanha e nos EUA; substância causou mortes e deformações em embriões de peixes em laboratório
Um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), divulgado nesta quarta-feira (7), detectou cocaína nas águas de cinco rios da capital e da Baixada Fluminense. Os pesquisadores analisaram os rios Irajá e Carioca e os canais do Cunha e do Mangue, no Rio, além do Rio Meriti, em Duque de Caxias. Todos deságuam na Baía de Guanabara.
Foram mais de 60 amostras, coletadas mensalmente entre 2022 e 2023. Só uma não tinha cocaína, e todas apresentaram benzoilecgonina, substância que o corpo produz ao metabolizar a droga e elimina pela urina. A concentração desse derivado foi maior que a da própria cocaína, o que indica que a contaminação chega aos rios principalmente pelo esgoto. Os níveis encontrados superam os de estudos semelhantes feitos na Bélgica, na Espanha e nos Estados Unidos.
Pico no verão
A contaminação foi maior no período chuvoso, de outubro a março, com o pico em janeiro, mês de festas e férias.
Efeito na vida aquática
Em testes de laboratório com embriões de zebrafish, uma espécie de peixe, a exposição às substâncias provocou mortes, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas.
O trabalho foi publicado na revista científica Aquatic Toxicology, sob coordenação do pesquisador Enrico Saggioro, do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental do IOC. Uma segunda etapa já ampliou a análise para 13 rios do estado, com amostras coletadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2024. Os resultados devem sair no primeiro semestre de 2027.
Com informações do IOC/Fiocruz e da CNN Brasil. Foto de destaque: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo).

