Fachada do edifício-sede da Cedae, no Rio de JaneiroFoto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Relatório cita pagamentos suspeitos, apagamento de registros e empresas ligadas à gestão anterior; caso será enviado ao Ministério Público

Uma auditoria realizada pelo governo do estado do Rio de Janeiro encontrou indícios de desvios que superam R$ 400 milhões na Cedae Saúde, a caixa de assistência que administra o plano de saúde dos empregados da Companhia Estadual de Águas e Esgotos. Segundo o levantamento, há sinais de irregularidades em pagamentos por serviços e suspeita de favorecimento a empresas ligadas à antiga direção da entidade.

Fundada em 1988, a Cedae Saúde atende cerca de 17 mil beneficiários, entre funcionários da ativa, dependentes, aposentados e pensionistas.

Dados apagados

A investigação interna começou depois do afastamento do ex-presidente Eric Frederik Gualberto, em junho deste ano. Ao assumir, a nova diretoria constatou que o cadastro de fornecedores e a prestação de contas referentes ao período de dezembro de 2023 a abril de 2026 haviam sido apagados. As informações acabaram recuperadas pelos auditores.

De acordo com a auditoria, quatro empresas pertencentes a uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, ligada a Gualberto, teriam recebido R$ 95 milhões durante a gestão dele. A defesa do ex-presidente não foi localizada.

Repasses caíram 70%

O relatório também chama atenção para os valores transferidos à Cedae Saúde pela antiga diretoria financeira, que giravam em média em R$ 20 milhões por mês — montante considerado muito acima do necessário pela atual gestão. Hoje, os repasses estão em torno de R$ 6 milhões mensais, uma redução de cerca de 70%.

O documento será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que poderá aprofundar a apuração e adotar medidas judiciais. Até o momento, não há denúncia formal nem condenação relacionada ao caso.

Com informações da Agência Brasil. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.

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