Espetáculo escrito e dirigido por Pedro Uchoa estreia nova temporada nesta sexta-feira (23), no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, misturando humor, drama e interação com o público
Como a tecnologia transformou a maneira de amar, conviver e construir memórias? Essa é uma das questões apresentadas pelo espetáculo “O Extermínio da Cegonha”, que retorna aos palcos cariocas nesta sexta-feira (23), às 20h, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Escrita e dirigida por Pedro Uchoa, que também integra o elenco, a montagem mistura humor, drama e poesia para abordar os impactos da tecnologia no comportamento humano e nas relações entre diferentes gerações.
A temporada segue até 15 de novembro, com apresentações às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 19h.
Além de Pedro Uchoa, o elenco reúne Higor Campagnaro, Julia Limp, Nara Parolini e Ricardo Lopes.
Um reencontro que desperta fantasmas do passado
A história acompanha Isabel, que decide passar o feriado de Finados em sua cidade natal, acompanhada do namorado, do cunhado e da irmã mais nova.
O que deveria ser uma viagem tranquila ganha novos contornos quando ela reencontra Samuel, um amigo de infância.
O encontro aparentemente casual desencadeia acontecimentos que trazem à tona conflitos, lembranças e questões mal resolvidas.
A partir dessa situação, a peça investiga como as transformações tecnológicas interferem na maneira como as pessoas se relacionam, lidam com o passado e constroem suas identidades.
A narrativa também apresenta o contraste entre gerações que cresceram em realidades diferentes.
Enquanto alguns personagens viveram a transição entre o telefone fixo e os smartphones, Madá, a irmã mais nova de Isabel, representa a geração Z, habituada desde cedo ao universo digital.
Redes sociais, algoritmos e responsabilidade emocional
A montagem aborda questões que ultrapassam o uso cotidiano de celulares e aplicativos.
Entre os temas discutidos estão responsabilidade emocional, silenciamento feminino, consciência de privilégios e diferenças geracionais.
O espetáculo questiona uma sociedade em que momentos pessoais são compartilhados em stories e experiências afetivas passam a ser influenciadas por curtidas, visualizações e engajamento.
A proposta é provocar uma reflexão sobre o impacto dessas mudanças na construção dos vínculos humanos.
Para Pedro Uchoa, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ocupar um espaço central na organização da vida contemporânea.
“A tecnologia hoje não é uma ferramenta, é um território”, afirma o autor e diretor.
Texto passou por transformações ao longo de dez anos
O processo de criação de “O Extermínio da Cegonha” começou há mais de uma década.
Durante esse período, o avanço acelerado da tecnologia exigiu diversas adaptações na dramaturgia.
Segundo Pedro Uchoa, situações que inicialmente pareciam distantes da realidade passaram a fazer parte do cotidiano, modificando o sentido de determinadas cenas.
“A cada gaveta, eu percebia que o mundo tinha avançado alguns passos e o texto precisava acompanhar esse deslocamento”, explica.
O diretor destaca que o próprio tempo acabou se tornando parte do processo criativo, aprofundando personagens e transformando os conflitos apresentados.
“As renovações tecnológicas alteraram profundamente o comportamento humano, em uma velocidade tão vertiginosa que se tornou urgente registrar em cena este nosso tempo”, observa.
Público participa da apresentação por meio de QR Code
Um dos diferenciais da montagem é a interação direta com a plateia.
O espetáculo começa com um karaokê interativo, no qual os espectadores são convidados a cantar e escolher músicas utilizando um QR Code.
A experiência também envolve a participação em tempo real pelo perfil da peça no Instagram.
Dessa forma, o público deixa de ocupar apenas o papel de observador e passa a integrar a experiência teatral.
A proposta rompe a chamada quarta parede, aproximando atores e espectadores e incorporando recursos digitais à narrativa.
“Desde a primeira cena o público deixa de ser apenas espectador e passa a compartilhar a experiência. Canta junto, ri, se reconhece e, aos poucos, percebe que é testemunha nas questões que a peça aborda”, afirma Pedro Uchoa.
Com uma linguagem que transita entre o realismo e a poesia, a montagem procura provocar reflexões sem abrir mão do humor.
Espaço Sérgio Porto recebe nova temporada
Fundado em 1983, no Humaitá, o Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto é um dos tradicionais palcos da cena artística carioca.
Batizado em homenagem ao escritor e cronista Sérgio Porto, conhecido pelo pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, o teatro se consolidou como um espaço dedicado à experimentação e à apresentação de novos talentos.
Ao longo de sua trajetória, recebeu produções de teatro, dança, música e artes visuais, tornando-se uma referência cultural na Zona Sul do Rio.
Serviço
Espetáculo: O Extermínio da Cegonha
Temporada: 23 de outubro a 15 de novembro de 2026
Dias e horários:
- Sextas-feiras e sábados, às 20h
- Domingos, às 19h
Local: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto
Endereço: Rua Visconde de Silva, s/nº, ao lado do número 292 – Humaitá, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
Vendas: Plataforma Bileto/Sympla
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 80 minutos
Informações: (21) 3085-3549
Instagram do espetáculo: @exterminiocegonha
Instagram do teatro: @espacosergioporto.rio
Ficha técnica: Texto e direção de Pedro Uchoa; codireção de Leonardo Bastos; iluminação de Hugo Mercier; cenário de Carila Matzenbacher; trilha sonora de Pedro Leal David; composição corporal de Carol Costa; direção de produção de Gabriel Garcia.
Realização: Proposta A6.
Foto: Dalton Valério / Divulgação.
