Estrelado por Sofia Félix, monólogo inspirado em conto de Marcelo Lavalle estreia nesta sexta-feira (30) e propõe uma reflexão sobre a força das mulheres na reconstrução da vida após a Segunda Guerra Mundial
As marcas deixadas pela guerra, os desafios da imigração e a força da ancestralidade feminina ganham espaço nos palcos cariocas com a estreia de “Nhá Eva”, nesta sexta-feira (30), às 20h, na Cia. de Teatro Contemporâneo, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Estrelado por Sofia Félix, com direção de Isabele Félix, o espetáculo inédito apresenta uma narrativa que atravessa gerações e continentes, abordando as experiências de mulheres que precisaram reconstruir suas vidas após os conflitos da Segunda Guerra Mundial.
A montagem fica em cartaz até 29 de novembro, com apresentações de quinta-feira a domingo.
Uma história que atravessa gerações
Inspirado no conto homônimo de Marcelo Lavalle, responsável também pela adaptação dramatúrgica, o espetáculo é ambientado no Sul do Brasil, em 1982.
A história acompanha Eva, uma verdureira polonesa convocada para uma conversa secreta por Gaia, uma menina acamada em razão de uma doença grave.
O encontro desencadeia uma viagem pelas memórias da protagonista, que tinha apenas 15 anos quando a Polônia foi invadida, em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial.
Entre lembranças, mistérios e elementos sobrenaturais, a narrativa apresenta um livro secreto transmitido exclusivamente entre mulheres durante mil anos.
A presença de um pássaro misterioso acrescenta uma dimensão simbólica à trama, que mistura acontecimentos históricos, ancestralidade e reflexões sobre a existência humana.
O protagonismo feminino no pós-guerra
Para Sofia Félix, que realiza seu primeiro monólogo após uma trajetória no teatro, a montagem representa uma oportunidade de apresentar ao público uma perspectiva histórica frequentemente deixada em segundo plano.
“Quando a diretora me mostrou o texto, fiquei encantada, principalmente porque ele aborda muito a questão feminina no período pós-Segunda Guerra Mundial. Quando ouvimos falar sobre a guerra, o foco geralmente está nos homens, no que eles fizeram e no que viveram durante e depois do combate, mas pouco se fala sobre o que aconteceu com as mulheres nesse período”, destaca a atriz.
A montagem busca evidenciar as experiências femininas diante da violência, do deslocamento forçado e das dificuldades de adaptação a uma nova realidade.
Ao abordar a imigração europeia para o Brasil, a peça também estabelece conexões com temas contemporâneos, como xenofobia, acolhimento, resiliência e preservação da memória familiar.
Música ao vivo e diferentes linguagens teatrais
A encenação aposta em uma linguagem dinâmica, combinando elementos da commedia dell’arte, mímica, palhaçaria e teatro físico.
Durante a apresentação, Sofia Félix interpreta diferentes momentos da narrativa e executa parte da trilha sonora ao vivo, tocando acordeon.
Os recursos cênicos permitem que a história transite entre a Europa de 1939 e o Brasil dos anos 1980, aproximando o público das experiências vividas pelos personagens.
“A obra será apresentada ao público de uma forma imersiva, para que as pessoas possam entrar na história e compreender o que esses personagens passaram durante e depois da guerra, o que ouviam, o que viam e o que vivenciavam. É um mergulho sensível”, explica Sofia.
A atriz destaca ainda a diversidade de linguagens utilizadas na montagem.
“Temos a música, por exemplo, e eu vou tocar acordeon. Também temos a commedia dell’arte e forte expressão corporal. De forma que o público consiga não apenas assistir, mas entrar junto com a gente nessa história”, acrescenta.
Espetáculo propõe reflexão sobre memória e pertencimento
Com direção de Isabele Félix, cenografia de José Dias, iluminação de Ana Luzia de Simoni, figurinos de Sophia Toledo e sonoplastia de Edith de Camargo, “Nhá Eva” propõe uma experiência teatral que ultrapassa os limites do drama convencional.
A montagem utiliza o simbolismo e diferentes recursos artísticos para refletir sobre as consequências da guerra e a importância das histórias transmitidas entre gerações.
Ao colocar uma mulher imigrante no centro da narrativa, o espetáculo valoriza experiências que ajudaram a construir a identidade cultural brasileira, mas que nem sempre receberam destaque nos registros históricos.
Serviço
Espetáculo: Nhá Eva
Temporada: 30 de outubro a 29 de novembro de 2026
Horários: Quinta-feira a sábado, às 20h; domingos, às 18h e às 20h.
Local: Cia. de Teatro Contemporâneo – Botafogo
Endereço: Rua Conde de Irajá, 253 – Botafogo, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Instagram: @nhaeva_
Informações: (21) 97449-6483
Produção: Catarina Kravetz
Assessoria de imprensa: Marrom Glacê Comunicação
