Fachada da sede da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no Centro da cidadeFachada da Secretaria de Estado de Polícia Civil, no Centro do Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo)

Mensagens no celular da companheira do chefe do Comando Vermelho indicam que ele ainda repassa ordens de dentro da prisão; MPRJ diz que dinheiro da facção pagava despesas da família

Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta que Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV), teria determinado a criação de uma associação de moradores na comunidade de Vila Norma, mesmo estando preso há décadas. A localidade, segundo a apuração, possivelmente fica em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A informação foi divulgada na madrugada desta segunda-feira (2) pelo portal Metrópoles.

Conversa no celular da companheira

A suspeita surgiu a partir de mensagens trocadas entre Márcia Nepomuceno, companheira de Marcinho VP, e Marco Antonio Quintal Henrique, conhecido como Marquinhos Balão. No diálogo, ele afirma ter fundado a associação em Vila Norma a pedido do traficante. Para os investigadores, a conversa reforça a tese de que o preso continua usando parentes e pessoas de confiança para levar ordens e interferir em decisões em comunidades dominadas pela facção.

Marquinhos aparece desde dezembro de 2021 como presidente de uma associação de moradores no Complexo do Alemão, entidade fundada em 2004. Não foi confirmada relação entre ela e a associação citada na investigação. Marcinho VP nasceu em Vigário Geral, na Zona Norte, e passou parte da infância e da adolescência em Vila Norma.

O celular de Márcia foi apreendido em diligências ligadas a um inquérito de São Paulo sobre um suposto disparo de arma de fogo envolvendo o rapper Oruam, filho do casal.

Dinheiro da facção para gastos pessoais

O Ministério Público do Rio (MPRJ), que também investiga o caso, afirma que recursos atribuídos ao CV eram usados para despesas pessoais e familiares de Marcinho VP. Em uma das conversas, segundo a apuração, é discutida a liberação de R$ 28 mil: R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para móveis de uma filha de Márcia. Em outra, há o pedido de R$ 10 mil para quitar uma fatura de cartão de crédito.

Márcia está presa desde outubro, após operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra a suspeita de monopólio de serviços de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. A reportagem não localizou as defesas dos citados.

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Com informações do Metrópoles. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo).