Grãos de feijão-pretoFoto: Divulgação/CNA

Oferta curta na entressafra, área menor no Paraná e excesso de chuvas explicam a disparada; feijão-carioca também acumula alta no ano

O feijão-preto, presença diária no prato do carioca, ficou bem mais caro em 2026. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), feito em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostra que o grão acumula valorização de 91,29% no ano e alcançou em outubro o maior preço nominal desde outubro de 2024.

Só no mês passado, a alta foi de 11,67%, a maior entre os produtos acompanhados pelo centro de pesquisa. Na comparação com outubro de 2025, o feijão-preto está 78,18% mais caro. Entre 22 e 29 de outubro, todas as praças monitoradas registraram aumento, com destaque para o oeste de Santa Catarina (5,87%), Curitiba (3,87%) e a metade sul do Paraná (3,86%).

Por que o preço subiu

Segundo o Cepea, a escalada é sustentada pela oferta limitada no período de entressafra. O cenário se agrava no Paraná, um dos principais produtores: o Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à secretaria estadual de Agricultura, reduziu a estimativa de área plantada para 86,3 mil hectares, 16% a menos que na safra anterior, com produção prevista de 173,2 mil toneladas, queda de 10%. O excesso de chuvas e a piora das lavouras aumentam a incerteza sobre a colheita no estado.

No país, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que o plantio da primeira safra 2026/2027 chegou a 25,1% da área prevista, abaixo da média histórica de 26,7%.

Feijão-carioca também sobe

O feijão-carioca teve movimentos mais moderados, que variaram conforme a região e a qualidade dos grãos. Na parcial de outubro, o tipo de melhor qualidade (nota 9 ou superior) subiu 1,59% no mês e acumula 37,44% de alta no ano. Para os grãos de notas 8 e 8,5, o avanço foi de 1,66% no mês e de 38,93% em 2026.

A expectativa dos pesquisadores é que a oferta restrita continue sustentando as cotações do feijão-preto no curto prazo. Já o comportamento do carioca vai depender da chegada da nova safra paulista e da qualidade do produto colhido.

Leia também: Cesta básica sobe 1,35% em setembro no Rio e passa de R$ 970, aponta levantamento | IBGE prevê safra recorde de 354,5 milhões de toneladas de grãos em 2026

Com informações da CNN Brasil e do Cepea/Esalq. Foto: Divulgação/CNA.