Jornalista volta a fazer uma declaração polêmica ao sugerir que o Cruz-Maltino poderia facilitar a partida deste domingo; não há qualquer fato que sustente a insinuação
Irresponsabilidade. É a palavra que melhor define a declaração de Renato Maurício Prado ao comentar, em uma live, o confronto entre Vasco e Palmeiras, marcado para este domingo (23), pelo Campeonato Brasileiro.
O jornalista insinuou que o Vasco poderia ser uma espécie de “filial do Palmeiras” e levantou a possibilidade de o clube carioca entregar a partida diante do time paulista. Uma declaração grave, especialmente por colocar em dúvida a seriedade e a integridade de um clube e de seus profissionais sem apresentar qualquer fato que sustente a acusação.
A fala foi feita em meio às discussões sobre a possível venda da SAF do Vasco ao empresário Marcos Faria Lamacchia, que possui relação familiar com a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A existência dessa relação, porém, não é evidência de qualquer interferência em resultados esportivos ou de qualquer acordo para beneficiar o clube paulista.
Não existe qualquer fato apresentado que indique que o Vasco tenha intenção de entregar a partida contra o Palmeiras — assim como não há qualquer elemento que sustente a ideia de que o clube tenha feito isso ou pretenda fazer isso em qualquer outro jogo.
Opinião tem limite
É perfeitamente legítimo que jornalistas façam críticas, levantem questionamentos e analisem os bastidores do futebol. O problema começa quando uma opinião é apresentada de maneira a criar uma suspeita grave sem que existam fatos para sustentá-la.
Renato Maurício Prado possui um histórico de opiniões polêmicas e declarações que provocam forte reação entre torcedores, mas isso não torna aceitável transformar uma especulação em uma insinuação que atinge diretamente a credibilidade de uma instituição centenária.
O Vasco está lutando contra o rebaixamento e chega ao confronto com o Palmeiras na 19ª colocação, com 22 pontos. Do outro lado, o Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro, com 48 pontos. São duas equipes com objetivos completamente diferentes na competição e que têm, dentro de campo, razões de sobra para buscar a vitória.
No jornalismo esportivo, opinião faz parte do jogo. Acusar ou insinuar que um clube pode entregar uma partida, entretanto, exige muito mais do que uma opinião. Exige fatos.
Sem eles, o que fica é apenas uma declaração irresponsável que alimenta suspeitas e coloca em xeque a reputação de profissionais que, até que se prove o contrário, estão simplesmente fazendo aquilo para o qual são contratados: jogar futebol.
