Moradores de Guizhou foram às ruas entre os dias 25 e 27 de agosto para realizar rituais que homenageiam ancestrais e oferecem bens simbólicos aos mortos
Imagens registradas na província de Guizhou, na China, chamaram atenção nos últimos dias ao mostrar moradores queimando oferendas nas ruas durante as celebrações do Festival dos Fantasmas Famintos, uma tradição ligada à memória dos mortos e ao culto aos ancestrais.
As cerimônias foram realizadas entre 25 e 27 de agosto e incluem a queima de objetos de papel que representam dinheiro e outros bens materiais. Segundo a tradição, essas oferendas são uma maneira simbólica de enviar recursos aos espíritos no mundo após a morte.
Tradição milenar
O Festival dos Fantasmas Famintos, conhecido em chinês como Zhongyuan Jie, ocorre no sétimo mês do calendário lunar. A tradição está associada a crenças budistas, taoistas e à religiosidade popular chinesa.
Durante o período, acredita-se que os espíritos dos mortos possam retornar temporariamente ao mundo dos vivos. Por isso, famílias realizam homenagens, oferecem alimentos, acendem incensos e queimam representações de dinheiro e outros objetos feitos de papel.
Entre os itens utilizados nas cerimônias estão réplicas de cédulas, roupas, casas, carros e outros bens. A ideia é que esses objetos sejam destinados simbolicamente aos mortos, como forma de garantir conforto e prosperidade no mundo espiritual.
Homenagem aos ancestrais
A celebração não é voltada apenas aos familiares falecidos. A tradição também contempla espíritos que não teriam recebido homenagens ou que não possuem descendentes para prestar tributos.
As oferendas funcionam, portanto, como uma demonstração de respeito e uma tentativa de manter o vínculo entre os vivos e os mortos.
As imagens feitas em Guizhou mostram a dimensão popular da tradição, com moradores realizando a queima das oferendas nas ruas durante os dias de celebração.
Embora as cenas possam causar estranhamento para quem não conhece o costume, a prática faz parte de uma tradição cultural que atravessa gerações e continua presente em diferentes regiões da China.
