Governador de São Paulo havia determinado a demissão do deputado federal da Polícia Civil após processo administrativo; desembargador concedeu liminar e suspendeu a medida

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), determinou nesta quinta-feira (3) a demissão do deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil), conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil de São Paulo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado e aplicou a penalidade de demissão “a bem do serviço público”.

Da Cunha estava afastado da Polícia Civil para exercer o mandato de deputado federal, mas permanecia vinculado à corporação. A demissão ocorreu após processos administrativos disciplinares que investigaram condutas atribuídas ao delegado.

Operação encenada

Um dos principais episódios analisados envolve uma operação realizada em 2020. Segundo as investigações, Da Cunha teria determinado que uma ação policial envolvendo o resgate de uma vítima de sequestro fosse refeita para a produção de imagens destinadas às redes sociais.

A apuração apontou que a vítima e o sequestrador teriam retornado ao local do cativeiro para que a cena fosse registrada. O conteúdo posteriormente foi utilizado nas redes sociais do então delegado. Da Cunha admitiu a realização da encenação, mas afirmou que se tratava de uma reprodução simulada.

O caso também chegou à Justiça comum. Em 2026, Da Cunha tornou-se réu em ação relacionada às acusações de abuso de autoridade e constrangimento ilegal. O processo ainda não teve julgamento definitivo.

Justiça suspende demissão

Poucas horas depois da publicação da demissão, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu uma liminar suspendendo a decisão de Tarcísio.

A decisão foi tomada pelo desembargador Álvaro Torres Júnior, que apontou possíveis irregularidades relacionadas ao direito ao contraditório e ao devido processo legal. Segundo a decisão, novos elementos teriam sido incorporados ao processo administrativo após a fase de instrução, sem que Da Cunha tivesse oportunidade de se manifestar sobre eles.

Com a liminar, a demissão fica suspensa enquanto o caso é analisado pela Justiça. A decisão é provisória e ainda poderá ser contestada pelo governo paulista.

Carreira política

Da Cunha ganhou notoriedade ao publicar vídeos de operações policiais e do cotidiano da Polícia Civil nas redes sociais. A exposição ajudou a impulsionar sua carreira política e, em 2022, ele foi eleito deputado federal por São Paulo.

Atualmente, busca a reeleição para a Câmara dos Deputados.

A decisão judicial desta quinta-feira, portanto, impede, por enquanto, que a demissão determinada pelo governador produza seus efeitos definitivos. O caso ainda deverá ser analisado de forma mais aprofundada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

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