Investigação aponta que grupo ligado ao crime organizado discutia formas de atacar o repórter do SBT; quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio
A Polícia Civil do Rio realizou uma operação para investigar ameaças de morte contra o jornalista Bruno Assunção, repórter do SBT conhecido pela cobertura de segurança pública e de ações envolvendo facções criminosas e milícias no estado.
A ação foi realizada por agentes da 32ª DP (Taquara), que cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Anil, Bangu, Campo Grande e Rio Comprido.
Segundo a Polícia Civil, informações obtidas por meio do trabalho de inteligência indicaram que um grupo com suposta ligação com o crime organizado estaria discutindo possíveis formas de atacar o jornalista.
Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores e documentos. Quatro alvos também foram conduzidos à delegacia para prestar depoimento. O material recolhido será analisado para tentar identificar a participação de cada investigado e possíveis outros envolvidos.
Ameaças incluíam tentativa de descobrir endereço
Bruno Assunção afirmou ao jornal O Dia que as ameaças incluíam referências a tortura, disparos de arma de fogo e tentativas de descobrir onde ele mora.
O jornalista contou ainda que precisou mudar completamente a rotina depois de tomar conhecimento da situação. Entre as medidas adotadas, deixou de frequentar os mesmos locais e passou a procurar estar acompanhado sempre que possível.
As ameaças seriam relacionadas, segundo o próprio repórter, ao trabalho desenvolvido na cobertura do crime organizado no Rio.
Bruno tem atuação frequente em reportagens sobre confrontos entre facções, operações policiais, tráfico de drogas e atuação de milícias.
Ameaças já haviam chegado à porta do SBT
O caso vinha sendo acompanhado desde julho. Na ocasião, materiais com ameaças diretas ao jornalista foram deixados na porta da sede do SBT, no Centro do Rio.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro chegou a enviar um ofício à Secretaria de Estado de Segurança Pública solicitando providências urgentes, reforço do policiamento no entorno da emissora e medidas para garantir a segurança do profissional e das equipes de reportagem.
Bruno relatou que chegou a permanecer afastado das coberturas externas por questões de segurança.
Investigação continua
A Polícia Civil agora analisa os equipamentos e documentos apreendidos durante a operação. O objetivo é esclarecer como as ameaças foram articuladas, identificar todos os possíveis participantes e verificar a eventual ligação dos investigados com organizações criminosas.
Para os investigadores, o caso também envolve uma tentativa de intimidação ao exercício da atividade jornalística.
A investigação permanece sob responsabilidade da 32ª DP (Taquara).
