Foto: Tom Costa/MJSP
Projeto-piloto reúne forças federais, estaduais e municipais e terá ações coordenadas para atingir logística, finanças e domínio territorial de organizações criminosas
O Rio de Janeiro será palco de uma nova experiência de atuação integrada contra o crime organizado. Apresentado nesta sexta-feira (18), o plano reúne órgãos dos governos federal e estadual e da Prefeitura do Rio em uma estratégia conjunta para combater facções, milícias e outras organizações criminosas.
A iniciativa prevê compartilhamento de inteligência, operações coordenadas e atuação em corredores logísticos considerados estratégicos, além de medidas destinadas à retomada de áreas sob influência de grupos criminosos.
A apresentação aconteceu no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, em Irajá, na Zona Norte, com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador interino do Rio, Ricardo Couto, do prefeito Eduardo Cavaliere e de representantes das forças de segurança.
O que muda na prática?
Um dos principais pontos do projeto é aumentar a integração entre órgãos que tradicionalmente atuam em esferas diferentes.
Participam da estratégia instituições como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e estruturas municipais de segurança.
O objetivo é permitir que informações obtidas por uma força sejam utilizadas de forma coordenada pelas demais, auxiliando investigações e operações.
Os primeiros Planos Operacionais Integrados (POIs) começaram a ser estruturados nesta semana.
Estradas, porto e aeroporto entram no foco
Um dos eixos é atingir a logística utilizada pelas organizações criminosas.
As ações deverão alcançar corredores estratégicos de circulação de pessoas e mercadorias, com atenção especial aos acessos rodoviários e às regiões relacionadas ao Porto do Rio e aos aeroportos.
A estratégia busca combater crimes como roubo de cargas e veículos e dificultar o transporte de armas, drogas e outros produtos utilizados ou comercializados por organizações criminosas.
O governo também pretende atingir a estrutura financeira desses grupos, identificando movimentações de dinheiro e atividades econômicas utilizadas para financiar o crime organizado.
Retomada de territórios
Outro eixo considerado prioritário é a retomada de áreas onde organizações criminosas exercem controle territorial.
Além do tráfico de drogas, autoridades apontam a exploração ilegal de serviços como gás, internet, transporte e outras atividades econômicas em comunidades como fontes de receita para grupos armados.
A proposta anunciada prevê que a atuação nesses locais não fique restrita a operações policiais pontuais.
Segundo o governo federal, a intenção é construir um modelo de presença permanente do poder público após a recuperação dos territórios.
Rio será projeto-piloto
O modelo implementado no estado será tratado como uma experiência inicial.
Durante a apresentação, Lula afirmou que a intenção é avaliar os resultados da integração entre as diferentes forças de segurança no Rio antes de eventualmente utilizar o modelo em outras regiões do país.
O presidente defendeu três eixos para a estratégia: sufocar a logística das organizações criminosas, retomar territórios e fortalecer a capacidade de atuação dos municípios.
O plano apresentado no Rio também está relacionado a dois acordos de cooperação técnica assinados no início de setembro entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Governo do Estado.
Os acordos estabeleceram as bases para o compartilhamento de informações e a realização de ações integradas.
Próximos passos
A nova fase será marcada pela elaboração e execução dos planos operacionais.
A proposta não significa a criação de uma nova força policial. O modelo pretende utilizar as estruturas já existentes, aumentando a troca de informações e coordenando as ações dos diferentes órgãos.
As autoridades ainda deverão detalhar quais serão os primeiros territórios e corredores contemplados pelas operações.
A efetividade do projeto dependerá dos resultados das ações, da continuidade da cooperação entre os diferentes níveis de governo e da capacidade de manter a presença do Estado nas áreas onde houver intervenção.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
