Sentença considerou insuficientes as provas para condenação; Ministério Público de São Paulo informou que vai recorrer da decisão

A Justiça de São Paulo absolveu William Correia da Silva Júnior, candidato a deputado federal pelo Democracia Cristã (DC), no processo em que era acusado de assédio sexual contra uma atleta paralímpica que tinha 16 anos na época dos fatos, ocorridos durante uma competição esportiva em 2021.

A sentença foi proferida pela juíza Cristina Alves Biagi Fabri e publicada em 25 de setembro. Após analisar depoimentos, mensagens e os demais elementos reunidos no processo, a magistrada considerou que não havia provas suficientes para uma condenação.

William negou as acusações durante o processo.

O que dizia a acusação

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, William teria feito comentários inadequados sobre a adolescente, enviado mensagens pelas redes sociais convidando-a a entrar em seu quarto de hotel e entrado no local onde a jovem estava acompanhada de outra adolescente.

A denúncia havia sido aceita pela Justiça em maio deste ano.

Na época dos fatos, William acompanhava a delegação do Rio de Janeiro durante a competição realizada em São Paulo.

Justiça considerou conjunto das provas

Ao analisar o caso, a magistrada ressaltou a relevância da palavra da vítima em processos envolvendo crimes sexuais, mas considerou que o relato precisava ser examinado juntamente com os demais elementos apresentados durante a ação.

De acordo com a sentença, as mensagens analisadas não demonstraram investidas de natureza sexual nem comportamento insistente, agressivo ou intimidatório. A decisão também considerou que não foi comprovada a finalidade sexual necessária para caracterizar o crime imputado pela acusação.

Outro ponto considerado foi a ausência de relação hierárquica direta entre William e a adolescente. Segundo a decisão, ele não atuava como treinador ou professor da jovem durante a competição.

Ministério Público vai recorrer

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada. O Ministério Público de São Paulo informou que recorrerá da absolvição.

William Correia é fundador do grupo Anjos da Guarda Vigilância Comunitária (AGVC) e ficou conhecido pela atuação do grupo na Zona Sul do Rio. O Ministério Público do Rio utiliza a expressão “justiceiro de Copacabana” ao se referir a ele em investigações relacionadas à atuação do grupo. Essas apurações no Rio são distintas do processo de assédio sexual no qual William foi absolvido em São Paulo.

📸 Reprodução/Redes sociais

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