Candidato do PSD reagiu à desistência do recurso de Garotinho no TSE, afirmou que medida pode beneficiar Ruas e cobrou explicações do adversário; acusações não foram comprovadas

Eduardo Paes (PSD) acusou Anthony Garotinho (Republicanos) de ter sido um “candidato laranja” de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo Governo do Rio e afirmou que os dois teriam participado de uma “armação” para tentar encerrar a eleição ainda no primeiro turno.

As declarações foram feitas em vídeo divulgado por Paes nas redes sociais na noite desta segunda-feira (5), horas depois de Garotinho desistir do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o indeferimento de sua candidatura.

As acusações são de responsabilidade de Eduardo Paes. Até o momento, não foram apresentadas provas de que Garotinho tenha lançado sua candidatura em acordo com Douglas Ruas.

Paes fala em “candidato laranja”

No vídeo, Paes afirmou que sua campanha vinha questionando a situação jurídica da candidatura de Garotinho desde antes da eleição.

“Demorou, mas hoje finalmente está todo mundo sabendo do escândalo que eu estou alertando desde o início da campanha”, afirmou.

Paes classificou o episódio como uma suposta “armação” entre Garotinho e Douglas Ruas e disse que sua campanha já sustentava que o ex-governador seria um “candidato laranja”.

Segundo Paes, a candidatura teria como objetivo interferir no resultado da eleição. A afirmação representa uma acusação política feita pelo candidato do PSD e não está comprovada.

Paes cita filho de Garotinho no PL

Ao levantar suspeitas sobre a relação entre Garotinho e o candidato do PL, Paes mencionou o fato de Wladimir Garotinho, filho do ex-governador, ser filiado ao partido de Douglas Ruas.

Wladimir foi eleito deputado federal pelo PL neste domingo (4), com 81.797 votos.

Paes utilizou essa ligação partidária para questionar publicamente Douglas Ruas sobre uma eventual negociação.

“Quero que ele responda o que negociou com o Garotinho para fazer essa manobra”, declarou.

Não há, até o momento, comprovação pública de que tenha ocorrido uma negociação entre Ruas e Garotinho para a desistência do recurso.

Desistência pode mudar resultado da eleição

Garotinho recebeu 274.411 votos, equivalentes a 3,17%, que permanecem no centro da disputa jurídica sobre a totalização da eleição.

Douglas Ruas terminou a apuração com 49,27%, enquanto Eduardo Paes obteve 42,76%.

Caso os votos atribuídos a Garotinho sejam definitivamente excluídos da base utilizada para o cálculo dos votos válidos, Ruas ultrapassa a marca de 50% e poderá ser declarado eleito governador no primeiro turno.

A definição, entretanto, ainda depende da Justiça Eleitoral.

TSE aguarda manifestação da PGE

O ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo no TSE, não homologou imediatamente a desistência apresentada por Garotinho.

O magistrado abriu prazo de dois dias para manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) antes de decidir sobre o caso.

Enquanto não houver uma nova decisão, Douglas Ruas e Eduardo Paes permanecem oficialmente classificados para o segundo turno.

Ruas já havia negado acordo com Garotinho

Antes da votação, Douglas Ruas afirmou que não mantinha conversas ou acordo político com Anthony Garotinho.

“Não há nenhuma conversa com Garotinho”, declarou Ruas no domingo, ao ser questionado sobre a possibilidade de receber apoio do ex-governador em um eventual segundo turno.

Agora, após a desistência do recurso, Paes cobra uma nova manifestação do adversário e defende que a disputa seja decidida novamente nas urnas.

O caso permanece sob análise da Justiça Eleitoral.

Vídeo: Reprodução/Redes sociais

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