Fachada da Superintendência da Polícia Federal no Rio de JaneiroSuperintendência da PF no Rio. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Operação Backbone mira monopólio de internet imposto pela facção nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão; Justiça bloqueou R$ 558 milhões

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (19) a Operação Backbone, que tem como alvo um esquema suspeito de controlar à força o serviço de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho na Zona Norte do Rio. Entre os presos estão a mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que é mãe do rapper Oruam, e Lucas Nepomuceno, filho do casal, apontado pela PF como gerente do controle do serviço.

Os agentes cumprem 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Rio, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Até as 9h15, 19 pessoas tinham sido presas. Um dos mandados foi cumprido contra o próprio Marcinho VP, que já está no sistema penitenciário federal, em Campo Grande (MS). Segundo a PF, ele seguia comandando atividades da facção com ajuda de parentes. O vereador do Rio Fabio Silva (Podemos) também foi preso, em Londrina (PR).

Cabos cortados e caixas incendiadas

De acordo com a investigação, criminosos armados cortavam cabos e ateavam fogo em caixas de distribuição de provedores concorrentes, impediam reparos e obrigavam moradores e comerciantes a contratar a internet ligada ao tráfico. Empresas autorizadas pela facção pagavam uma taxa mensal para atuar na região. Registros contábeis apreendidos indicam que, em um único mês, a cobrança pela internet respondeu por mais de 40% da receita do grupo no Complexo da Penha.

Ainda segundo a PF, o dinheiro chegava à família por meio de empresas de cobrança, operadores financeiros e contas de passagem, e era escondido em produtoras de eventos, agências de publicidade, imóveis de alto padrão comprados em espécie e criptoativos. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens de 40 pessoas e 42 empresas, além da suspensão das atividades das firmas investigadas. A Anatel será acionada para cassar as autorizações dos provedores, sem deixar os moradores sem serviço.

Os suspeitos podem responder por domínio social estruturado, extorsão qualificada, atentado contra serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, atividade clandestina de telecomunicações e lavagem de dinheiro. A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II. A defesa dos presos não foi localizada até a publicação desta reportagem.

Leia também: Polícia prende seis suspeitos de impor internet ligada ao Comando Vermelho a moradores de Vila Isabel | Oruam consegue habeas corpus e deixa de ser considerado foragido

Com informações da Agência Brasil, da CNN Brasil e da Gazeta do Povo. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo).

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