Campanha petista diz concordar com todos os termos do adversário, mas exige dados da Alcazar Holdings, offshore ligada ao advogado Willer Tomaz
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre a abertura de dados bancários, fiscais e telefônicos ganhou um novo capítulo na noite desta quarta-feira (21). A coordenação da campanha do presidente informou que ele aceita as condições impostas pelo senador para ampliar a quebra de sigilos, desde que Flávio também entregue tudo o que foi solicitado pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O anúncio foi feito pelo coordenador da campanha, senador Camilo Santana (PT-CE). Segundo ele, Lula “não se opõe a absolutamente nada” do que foi proposto. O petista fixou as 11h desta quinta-feira (22) como prazo para que o candidato do PL aceite os termos e envie seus dados ao tribunal, no mesmo horário em que a campanha de Lula pretende protocolar sua resposta. O segundo turno será no domingo (25).
O que Flávio pediu
Mais cedo, Flávio havia informado ao TSE que autoriza a divulgação de seus registros dos últimos 20 anos, mas condicionou a medida a uma ampliação do pedido de Lula. Entre as exigências estão os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência, os registros de entrada da empresária Roberta Luchsinger no Palácio do Planalto e os sigilos de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente. O senador também incluiu o Instituto Lula, o ex-presidente da entidade Paulo Okamoto, a agenda da primeira-dama Janja e os dados de Lulinha, filho de Lula, que nega as suspeitas investigadas pela Polícia Federal. Flávio classificou o pedido do adversário como uma “verdadeira aberração jurídica”.
Alcazar Holdings no centro da disputa
A principal cobrança do PT envolve a Alcazar Holdings, offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, e controlada pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A empresa ficou fora da resposta de Flávio ao TSE. Segundo a PF, o parlamentar aparece como administrador de uma conta da empresa em um banco, relação que é investigada. Flávio e Willer Tomaz negam qualquer sociedade. Camilo Santana chamou as condições do adversário de “tentativa de manobra”.
O embate começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou o rival a abrir os sigilos. Na terça (20), o presidente protocolou no TSE o compromisso de divulgar seus dados e os de sua família. Os pedidos dos dois candidatos estão com o ministro André Mendonça, relator do caso.
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Com informações de Agência Brasil e Exame. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil.

