Departamento de Justiça queria obrigar a universidade a entregar dados de admissão de candidatos para apurar se a raça ainda pesa na seleção
A Justiça Federal dos Estados Unidos rejeitou, nesta segunda-feira (2), o processo aberto pelo governo de Donald Trump contra a Universidade de Harvard. A decisão é do juiz federal Myong Joun, de Boston, e encerra a ação em que o Departamento de Justiça (DOJ) tentava forçar a instituição a fornecer documentos para uma investigação sobre o uso de critérios raciais na seleção de alunos.
O que o governo pedia
A ação foi apresentada em fevereiro. Segundo o DOJ, Harvard não colaborava com a verificação de que cumpre a decisão da Suprema Corte americana de 2023, que derrubou os programas de admissão baseados em raça. O governo alegava precisar de dados individuais de candidatos, reunidos ao longo de vários anos, para checar se a universidade respeita o Título VI da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe discriminação racial em programas educacionais.
Defesa falou em retaliação
A defesa de Harvard sustentou que o processo foi uma represália à recusa da universidade em aceitar exigências do governo para mudar sua forma de gestão, suas contratações e seus programas acadêmicos. A ação chegou à Justiça logo depois de Trump anunciar, no início de fevereiro, o fim das negociações com a instituição e cobrar uma indenização de US$ 1 bilhão. Os advogados também argumentaram que o DOJ recorreu aos tribunais sem cumprir antes as etapas legais para pedir a entrega voluntária dos registros, que incluíam informações confidenciais de milhares de estudantes do ensino médio que tentaram uma vaga.
Até a publicação da reportagem original, o Departamento de Justiça e a Casa Branca não haviam se manifestado sobre a decisão.
Série de derrotas na Justiça
Harvard, situada em Cambridge, no estado de Massachusetts, é um dos principais alvos da ofensiva de Trump contra universidades que ele classifica como dominadas pela “esquerda radical”, com o uso de verbas federais como instrumento de pressão. Não é a primeira vez que o governo perde nos tribunais: outros juízes já barraram o corte de mais de US$ 2 bilhões em repasses à universidade, a tentativa de impedir a matrícula de estudantes estrangeiros e um processo que acusava a instituição de não proteger alunos judeus e israelenses contra assédio.
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Com informações da CNN Brasil e da Reuters. Foto: Divulgação/Harvard University.

