André Ceciliano tenta viabilizar candidatura, enquanto divergências no PL mostram que escolha de Anderson Moraes ainda enfrenta resistências
Por Carlos Martins | Fato Fluminense

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) já entrou no radar das principais forças políticas do estado. Antes mesmo de assumir o governo, Douglas Ruas (PL) terá de lidar com uma questão que pode influenciar diretamente sua relação com o Legislativo: a eleição do próximo presidente da Casa.
O futuro governador escolheu o deputado Anderson Moraes (PL) para disputar o comando da Assembleia. Mas a indicação não encerrou as articulações. O PT também decidiu apresentar uma alternativa e trabalha para levar o ex-presidente da Alerj André Ceciliano à disputa.
A candidatura petista começou a ser discutida nesta terça-feira (3), durante uma reunião de deputados estaduais eleitos pelo partido, na sede do Conselho Regional dos Técnicos Industriais (CRT-RJ), no Centro do Rio. Ao fim do encontro, Ceciliano ficou responsável por procurar outras legendas e conversar sobre a possibilidade de reunir apoio para sua eleição.
Participaram da reunião Elika Takimoto, Marina do MST, Allyson Elias, Zeidan e Adilson Pires. Verônica Lima e Leonel de Esquerda não compareceram.
Escolha de Ruas ainda divide o PL
Se o PT busca apoio fora de sua bancada, Douglas Ruas também terá de administrar divergências entre os próprios aliados. Parte dos deputados do PL demonstra preferência pelo atual vice-presidente da Alerj, Guilherme Delaroli, em vez de Anderson Moraes. A federação União Progressista, por sua vez, já declarou apoio ao nome escolhido pelo futuro governador.
A divisão dentro do partido é um complicador para Ruas. A indicação de um candidato não significa, necessariamente, que toda a bancada estará disposta a acompanhá-lo. Em uma eleição que depende da formação de maioria, a falta de entendimento entre aliados pode custar caro.
Crescimento do PT não garante vitória
O PT ampliará sua bancada de cinco para nove deputados estaduais na próxima legislatura. É um crescimento importante para o partido, que passa a ter mais espaço nas negociações internas da Assembleia. Ainda assim, Ceciliano precisará conquistar votos de outras siglas para transformar a candidatura em uma possibilidade real de vitória.
A presidência da Alerj tem peso político nas relações entre os Poderes. O comando da Casa dá ao eleito influência sobre a agenda legislativa e um papel importante nas negociações com o governo estadual.
Para Douglas Ruas, a eleição de Anderson Moraes representaria uma vitória política logo no início da gestão. Já uma eventual escolha de Ceciliano mostraria que o PT conseguiu reunir uma maioria capaz de contrariar a preferência do futuro governador.
A disputa ainda está aberta, mas já coloca Ruas diante de um desafio: demonstrar que tem força para conduzir sua base e construir maioria na Assembleia. Não basta chegar ao Palácio Guanabara com o apoio do próprio partido. Será preciso mostrar capacidade de articulação dentro de uma Casa onde os interesses nem sempre seguem a orientação do governo.
