Crianças fazem atividades de ciências no pátio de uma escola municipalFoto: Rovena Rosa/Agência Brasil (arquivo)

Análise da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com dados da OCDE mostra que racismo e desigualdade social pesam na aprendizagem desde a pré-escola

As desigualdades raciais e socioeconômicas já deixam marcas no aprendizado de crianças brasileiras aos 5 anos de idade. É o que mostra uma análise da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, divulgada nesta quarta-feira (4), a partir dos resultados do Estudo Internacional de Aprendizagem e Bem-Estar na Primeira Infância (IELS, na sigla em inglês), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A pesquisa avaliou crianças matriculadas na pré-escola em três dimensões: aprendizagens básicas, funções executivas e habilidades socioemocionais.

Diferenças por cor e por renda

No desempenho geral, as crianças pretas alcançaram 423 pontos, ante 463 das brancas — uma distância de 40 pontos. As pardas ficaram com média de 447. Na memória de trabalho, a diferença também foi estatisticamente significativa: 462 pontos para pretas, 463 para pardas e 471 para brancas.

Quando cor e renda são cruzadas, o abismo aumenta. Em matemática, crianças pretas, pardas e indígenas de famílias de baixa renda somaram 416 pontos, enquanto brancas e amarelas de famílias de renda alta chegaram a 500, uma diferença de 84 pontos. Em leitura e escrita, a distância foi de 55 pontos (477 contra 532), mesma diferença registrada na memória de trabalho (441 contra 496).

Recomendações

Para a diretora de Políticas Públicas da fundação, Marina Fragata Chicaro, raça, cor ou condição econômica não definem a capacidade de aprender de uma criança. Ela alerta que, se não forem enfrentadas cedo, as desigualdades que surgem na primeira infância tendem a se acumular ao longo da vida.

Entre as medidas sugeridas estão o acompanhamento dos dados separados por raça e cor, a combinação de políticas universais com ações focalizadas, a formação de professores para atuar em contextos de alta vulnerabilidade, o estímulo ao aprendizado de matemática por meio de brincadeiras e a articulação entre educação, saúde e assistência social. O estudo lembra que o país já tem marcos legais sobre o tema, como a Política Nacional Integrada da Primeira Infância e o novo Plano Nacional de Educação.

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Com informações da Agência Brasil. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil (arquivo).