Edifício-sede do Banco Central em BrasíliaEdifício-sede do Banco Central, em Brasília, órgão que regula as corretoras de criptoativos. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Decisão unânime do Banco Central, anunciada na noite de quarta, cita cenário externo mais incerto e eleva a projeção de inflação para 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. O anúncio foi feito no início da noite desta quarta-feira (4), em Brasília, e encerra a sequência de reduções que o colegiado vinha aplicando desde março. A decisão foi tomada por unanimidade e já era esperada pelo mercado financeiro.

No comunicado divulgado após a reunião, o comitê afirmou que a manutenção dos juros é compatível com a estratégia de levar a inflação de volta à meta. A pausa ocorre mesmo com sinais de que a economia brasileira está perdendo fôlego.

Cenário externo pesa na decisão

Segundo o Copom, o ambiente internacional ficou mais incerto e adverso. O texto menciona o conflito prolongado no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, que pressiona os preços do petróleo e dos combustíveis, além de uma política monetária mais apertada nas economias avançadas. Para o comitê, esse quadro exige cautela dos países emergentes.

No plano doméstico, o Banco Central reconheceu que os indicadores de atividade mostram uma desaceleração mais nítida, sobretudo nos setores mais sensíveis aos juros, e que o mercado de trabalho começa a dar sinais de arrefecimento.

Projeção de inflação sobe

O comitê elevou a sua estimativa para o IPCA de 2026 de 5,2% para 5,6%, acima do teto da meta, que é de 4,5%. Para o chamado horizonte relevante da política monetária, o segundo trimestre de 2028, a projeção passou de 3,2% para 3,5%, ainda distante do centro da meta, de 3%.

A decisão chega em um momento de alívio pontual nos preços: a prévia da inflação oficial de outubro, o IPCA-15, ficou em 0,32%, influenciada pela queda das passagens aéreas e pela bandeira tarifária verde na conta de luz. No acumulado de 12 meses, o índice soma 4,62%.

A Selic serve de referência para as taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e cartões, e também influencia o rendimento de aplicações de renda fixa. Com a manutenção, o crédito tende a seguir caro para famílias e empresas nos próximos meses.

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Com informações de O Tempo e Money Times. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (arquivo).