Arquivo ligado ao acordo entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro teria passado por edição atribuída a Moraes antes da assinatura
Novos elementos da investigação sobre o Banco Master colocaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no centro das apurações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (1º), uma análise da Polícia Federal identificou, por meio de metadados de um arquivo, que Moraes teria editado uma versão do contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. O acordo tinha valor estimado em R$ 131 milhões.
O documento teria sido modificado antes de ser encaminhado para assinatura. A informação consta de análise de dados encontrados pela PF no celular de Vorcaro.
Contrato com escritório da esposa
O contrato foi firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes e esteve vigente entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Segundo o escritório, a participação de Alexandre de Moraes na elaboração do documento ocorreu dentro de um procedimento relacionado à verificação de possíveis impedimentos legais. A banca afirma que não havia conflito de interesses, argumentando que o ministro nunca julgou processos envolvendo o Banco Master.
O escritório também sustenta que o contrato foi regularmente firmado e que a atuação profissional era de responsabilidade da banca de advocacia.
Investigação também apura mensagens de Vorcaro
Além dos metadados do contrato, a Polícia Federal encontrou mensagens e anotações no celular de Daniel Vorcaro que mencionam Alexandre de Moraes.
Segundo reportagens divulgadas nesta terça-feira, o conteúdo inclui pedidos de ajuda e referências à atuação de autoridades em assuntos relacionados ao Banco Master e às investigações conduzidas pela PF. O material está sendo analisado no inquérito que apura as circunstâncias envolvendo o banco.
O ministro nega ter recebido algumas das mensagens atribuídas a Vorcaro e classificou as acusações como ataques ao Supremo Tribunal Federal.
André Mendonça pede manifestação da PGR
O ministro André Mendonça, relator do inquérito relacionado ao Banco Master, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o conteúdo das mensagens e os elementos encontrados durante a investigação.
Mendonça também solicitou informações à Polícia Federal sobre as referências feitas por Vorcaro a autoridades como Alexandre de Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A apuração ainda está em andamento e não há, até o momento, conclusão judicial de que Alexandre de Moraes tenha cometido qualquer crime relacionado ao contrato.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver um ministro do STF e um contrato milionário entre uma instituição financeira investigada e o escritório de advocacia de sua esposa.
O Fato Fluminense acompanha os desdobramentos da investigação e atualizará a reportagem conforme novas informações forem divulgadas pelas autoridades.
