Ofensiva americana contra alvos iranianos provoca retaliação de Teerã contra aliados dos Estados Unidos no Golfo; Estreito de Ormuz volta a concentrar preocupação internacional

A tensão entre Estados Unidos e Irã aumentou novamente nesta quarta-feira (2), após uma nova sequência de ataques militares envolvendo os dois países. A ofensiva rompeu um período de relativa calmaria e elevou os temores de uma ampliação do conflito no Oriente Médio.

As forças americanas afirmaram ter concluído uma nova onda de ataques contra posições militares iranianas. Entre os alvos estavam sistemas de defesa aérea, radares, instalações de comunicação, estruturas navais e equipamentos relacionados à capacidade de lançamento de mísseis.

Em resposta, o Irã lançou ataques contra interesses e bases ligadas aos Estados Unidos em países aliados da região.

Irã lança ataques contra aliados dos EUA

Durante a madrugada, Teerã lançou mísseis e drones contra alvos nos países do Golfo e contra instalações americanas na região.

Jordânia, Bahrein e Kuwait relataram ataques ou ameaças relacionadas à ofensiva iraniana. Autoridades dos países atingidos afirmaram que parte dos projéteis foi interceptada.

O governo iraniano afirma que suas ações são uma resposta aos ataques americanos contra seu território e contra instalações militares próximas ao Estreito de Ormuz.

Ataque americano teria atingido festa de casamento

Um dos episódios mais graves da nova escalada ocorreu na região de Sirik, no sul do Irã.

Segundo autoridades iranianas, um ataque americano atingiu uma área onde acontecia uma festa de casamento. Relatos divulgados pela imprensa internacional apontam para a morte de civis, incluindo uma criança, além de dezenas de feridos.

O governo americano afirmou que está analisando as informações sobre as vítimas. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) declarou que civis não são alvos das operações militares americanas.

Estreito de Ormuz vira centro da crise

O Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa.

A passagem marítima é uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do planeta. A intensificação dos ataques contra navios e das operações militares na região ameaça o fluxo internacional de energia e aumenta a preocupação dos mercados.

Dados citados pela imprensa internacional mostram que apenas quatro embarcações comerciais atravessaram o estreito na terça-feira, número muito inferior ao fluxo registrado antes da escalada.

O risco para a navegação também aumentou após ataques contra petroleiros e relatos de embarcações atingidas ou ameaçadas na região.

Petróleo volta a subir

A escalada militar já provoca reflexos no mercado internacional de energia.

O petróleo Brent chegou a aproximadamente US$ 95 por barril nesta quarta-feira, com alta próxima de 1%. O temor é que novos ataques ou uma interrupção maior do tráfego pelo Estreito de Ormuz reduzam a oferta mundial de petróleo.

O estreito é responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto do petróleo mundial, o que faz qualquer interrupção prolongada ter potencial para provocar impactos nos preços dos combustíveis e na economia global.

Trump ameaça aumentar pressão contra Teerã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a advertir que uma retaliação iraniana poderia provocar novos ataques americanos.

A Casa Branca mantém a pressão para que Teerã abandone suas ambições nucleares e reduza o apoio a grupos armados aliados no Oriente Médio. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear possui finalidade pacífica.

A troca de ameaças aumenta a preocupação de que a atual escalada possa transformar o conflito em uma guerra regional ainda mais ampla.

Comunidade internacional pede contenção

O agravamento da situação provocou novos apelos diplomáticos para que Estados Unidos e Irã retomem as negociações.

Países da região demonstraram preocupação com ataques realizados em seus territórios e com os riscos para a população civil e para a navegação internacional.

A possibilidade de uma interrupção prolongada do tráfego no Estreito de Ormuz também preocupa governos europeus e asiáticos, devido ao impacto potencial sobre o abastecimento de energia.

Enquanto a diplomacia tenta evitar uma expansão do conflito, Estados Unidos e Irã continuam trocando ataques, deixando o Oriente Médio diante de uma das mais graves escaladas militares dos últimos meses.

Fonte: AP, Reuters e Al Jazeera.

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