Documento divulgado durante cúpula em Nova Déli defende diálogo para conflitos internacionais e condena medidas econômicas unilaterais
Os países que integram o BRICS aprovaram neste sábado (12) a declaração final da cúpula realizada em Nova Déli, na Índia. O documento manifesta preocupação com conflitos internacionais, defende a solução de controvérsias por meio do diálogo e critica a aplicação de sanções unilaterais contra países.
A declaração foi construída em meio a divergências entre os integrantes do grupo, especialmente diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio. Mesmo com posições diferentes entre os países-membros, o bloco conseguiu chegar a um texto comum.
Entre os principais pontos do documento está o pedido para que os países envolvidos em conflitos adotem “máxima contenção” e evitem medidas que possam ampliar as hostilidades. O BRICS também defendeu o respeito à soberania nacional, à integridade territorial e aos princípios estabelecidos pela Carta das Nações Unidas.
Críticas às sanções
O comunicado também reforça a oposição do grupo ao uso de sanções econômicas impostas de forma unilateral. A posição afeta diretamente países que enfrentam medidas restritivas aplicadas por grandes potências, entre eles Cuba, Irã e Rússia.
No caso cubano, o BRICS mantém a crítica às medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos e defende que sanções que não tenham autorização do Conselho de Segurança da ONU não sejam utilizadas como instrumento de pressão internacional.
A discussão ocorre em um momento de forte pressão econômica sobre Cuba. O governo cubano afirma que as medidas norte-americanas têm provocado impactos significativos na economia e no cotidiano da população.
Conflitos no Oriente Médio
A guerra envolvendo Irã e Estados Unidos também esteve entre os principais desafios diplomáticos da cúpula. A presença do Irã no BRICS e a participação dos Emirados Árabes Unidos, que possuem posições distintas em relação ao conflito, dificultaram a construção de uma declaração mais contundente.
Por isso, o texto final adotou uma linguagem mais genérica e evitou citar diretamente países específicos envolvidos nos confrontos. A estratégia permitiu que os integrantes chegassem a um consenso apesar das diferenças internas.
O documento também condena ataques contra civis e infraestruturas civis e reforça a necessidade de buscar soluções diplomáticas para os conflitos.
Busca por maior influência internacional
Além das guerras e das sanções, a reunião tratou da necessidade de ampliar a participação dos países emergentes nas principais instituições internacionais.
O BRICS defende reformas na governança global, incluindo mudanças na estrutura de organismos como a Organização das Nações Unidas e instituições financeiras internacionais.
A expansão do grupo, que atualmente reúne 11 países, aumentou sua influência econômica e política, mas também trouxe novas divergências entre seus integrantes. A cúpula em Nova Déli foi considerada um teste para a capacidade do bloco de manter uma posição conjunta diante de crises internacionais.
Apesar das diferenças, os países conseguiram aprovar uma declaração conjunta, reforçando a defesa do multilateralismo e de uma ordem internacional com maior participação das nações do chamado Sul Global.
