Jornalista, escritor e integrante da Academia Brasileira de Letras morreu nesta terça-feira (22), no Rio; autor de “1968 — O Ano que Não Terminou” e “Cidade Partida” marcou gerações ao retratar o país e as desigualdades cariocas
Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos principais nomes do jornalismo e da literatura de não ficção no Brasil.
Zuenir morreu em casa, no Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas após a confirmação da morte pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o jornalista enfrentava uma pneumonia.
Ao longo de décadas de carreira, Zuenir transformou grandes acontecimentos políticos, sociais e culturais do país em reportagens, crônicas e livros que ajudaram a contar a história recente do Brasil.
Do jornalismo para os livros
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir Ventura construiu grande parte de sua trajetória profissional no Rio de Janeiro.
Passou por importantes veículos da imprensa brasileira, entre eles Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo.
Entre seus trabalhos mais conhecidos está “1968 — O Ano que Não Terminou”, lançado em 1988. A obra recupera acontecimentos e personagens de um dos períodos mais marcantes da ditadura militar brasileira e tornou-se uma referência sobre aquela geração.
“Cidade Partida” e o Rio de Janeiro
A relação de Zuenir com o Rio ganhou um de seus registros mais importantes em “Cidade Partida”, publicado em 1994.
O livro nasceu da experiência do jornalista em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio, após a chacina de 1993, quando 21 moradores foram assassinados.
Zuenir acompanhou durante meses a rotina da comunidade e as iniciativas que buscavam aproximar diferentes partes de uma cidade marcada pela violência e pela desigualdade.
O trabalho se tornou uma das obras mais conhecidas sobre as divisões sociais do Rio e consolidou a expressão “cidade partida” no debate sobre segurança pública, pobreza e desigualdade.
Academia Brasileira de Letras
Em 2014, Zuenir Ventura foi eleito para a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o escritor Ariano Suassuna.
Além da produção jornalística e literária, Zuenir recebeu diferentes prêmios ao longo da carreira e permaneceu atuante na imprensa durante décadas, tornando-se referência para diferentes gerações de jornalistas.
Entre suas obras estão ainda “Inveja — Mal Secreto”, “Minhas Histórias dos Outros” e “Sagrada Família”.
O velório de Zuenir Ventura está previsto para esta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, no Centro do Rio. O sepultamento será realizado no Mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Zuenir Ventura deixa uma trajetória profundamente ligada ao jornalismo brasileiro e ao Rio de Janeiro, cidade que observou, investigou e transformou em algumas das páginas mais importantes de sua obra.
