Mulher de 43 anos e criança de 2 foram atingidas por escombros; imóvel já havia passado por vistorias e moradores haviam alertado sobre problemas estruturais
O desabamento parcial de um casarão no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, que deixou uma mulher de 43 anos e a filha dela, de apenas 2, feridas, trouxe novamente à discussão as condições de conservação de imóveis antigos da região.
O acidente aconteceu na manhã de sábado (19), na Rua Cosme Velho. Mãe e filha passavam pelo corredor de acesso à vila onde moram quando parte do segundo pavimento do imóvel desabou. A criança estava em um carrinho.
As duas foram atingidas pelos escombros e socorridas pelo Corpo de Bombeiros. Inicialmente, foram encaminhadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, e posteriormente transferidas para uma unidade particular.
Imóvel já havia passado por três vistorias
Segundo a Defesa Civil Municipal, o casarão já havia sido vistoriado três vezes antes do acidente.
Desde 2023, o proprietário havia sido orientado a realizar obras de recuperação. Outras duas vistorias ocorreram em 2025 e, diante da ausência das intervenções indicadas, o imóvel foi interditado.
A situação também já havia sido denunciada por moradores.
Em março deste ano, a Associação Viva Cosme Velho entregou à Subprefeitura da Zona Sul um levantamento de 51 páginas sobre imóveis com problemas de conservação no bairro. O casarão estava entre os endereços citados.
O documento apontava infiltrações, desprendimento de revestimentos, esquadrias danificadas, problemas no telhado e avanço da vegetação sobre a construção.
Mais imóveis são desapropriados
Após o acidente, a Prefeitura decidiu desapropriar os imóveis envolvidos no desabamento.
Nesta terça-feira (22), o município também formalizou a desapropriação de outros dois imóveis históricos do Cosme Velho: a Casa de Cândido Portinari e o Solar dos Abacaxis.
Segundo a Prefeitura, os imóveis serão destinados a um processo de renovação urbana e posteriormente deverão ser levados a leilão, conforme as condições estabelecidas pelo município.
Mais de 3 mil pedidos de vistoria no Rio
O caso acontece em um momento de aumento expressivo das solicitações relacionadas a estruturas com risco na cidade.
Dados do serviço 1746 divulgados nesta semana mostram que, entre janeiro e 17 de setembro, foram registrados 3.394 chamados para vistorias por ameaça de desabamento no Rio. Em todo o ano passado, foram 2.005 solicitações.
A Zona Norte concentra o maior número de registros, com 1.218 chamados no período.
O episódio do Cosme Velho foi registrado por uma câmera de segurança, que mostra mãe e filha deixando a vila momentos antes de serem atingidas pelos escombros.
