Ex-jogador do Vasco e atual técnico do Joinville afirma ter sido enganado por ex-auxiliar de Maradona; entidade investiga possível esquema de venda irregular de diplomas
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou, nesta quinta-feira (8), o registro do ex-jogador Diego Souza como treinador do Joinville, de Santa Catarina, após a revelação de que ele havia sido inscrito no Boletim Informativo Diário (BID) com uma licença profissional considerada falsa.
O caso foi revelado em investigação da jornalista Joanna de Assis, do UOL, que identificou um suposto esquema de comercialização irregular de diplomas de treinador envolvendo o argentino Alejandro Mancuso, ex-jogador de Flamengo e Palmeiras e ex-auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina.
Diego Souza, que se destacou no futebol brasileiro com passagens por Vasco, Grêmio e Palmeiras, havia sido registrado na CBF em agosto de 2026 com uma licença PRO atribuída à Associação de Técnicos de Futebol da Argentina (ATFA).
Entretanto, a entidade argentina informou que o nome do ex-jogador não constava em seus registros oficiais.
Diego Souza afirma que foi enganado
Em entrevista ao UOL, Diego Souza explicou que recebeu a documentação em 2023, quando ainda atuava como jogador do Grêmio.
Segundo ele, Alejandro Mancuso se apresentou como diretor internacional da ATFA e ofereceu uma licença especial destinada a atletas de destaque, que permitiria trabalhar como treinador sem passar pelos procedimentos tradicionais de formação.
O ex-jogador afirmou que confiou na trajetória de Mancuso no futebol e chegou a consultar outros atletas que haviam recebido documentos semelhantes.
Diego Souza declarou estar profundamente decepcionado com a situação e preocupado com as consequências para sua nova carreira.
Ele negou ter participado conscientemente de qualquer falsificação e afirmou que pretende tomar as providências necessárias para regularizar sua situação e responsabilizar os envolvidos.
CBF abre investigação
Após a divulgação da denúncia, a CBF iniciou uma revisão dos registros de treinadores que utilizaram licenças argentinas para atuar no futebol brasileiro.
A entidade também solicitou à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) uma verificação da autenticidade das certificações apresentadas.
O caso de Diego Souza foi encaminhado à Comissão de Ética e à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), responsáveis pela apuração de eventuais irregularidades e responsabilidades.
A CBF ressaltou que, conforme seu Regulamento Geral de Registros, cabe aos clubes assegurar a autenticidade dos documentos apresentados para inscrição de profissionais.
Procurado pelo UOL, o Joinville não soube detalhar como ocorreu o processo de apresentação da documentação do treinador.
Investigação envolve outros nomes conhecidos
A reportagem do UOL também identificou outros nomes importantes do futebol sul-americano mencionados no suposto esquema, entre eles Roberto Carlos, Felipe Melo, Thiago Silva, Diego Lugano e Petkovic.
Segundo a investigação, Mancuso oferecia pacotes de certificações que poderiam custar aproximadamente R$ 100 mil, prometendo habilitação profissional sem a necessidade de frequentar os cursos tradicionais.
A ATFA negou que Mancuso tivesse autorização para representar a entidade ou emitir documentos em seu nome.
O argentino, por sua vez, negou ter vendido diplomas falsos.
Futuro de Diego Souza no Joinville
Diego Souza iniciou sua carreira como treinador profissional em agosto deste ano, assumindo o comando do Joinville.
Com o cancelamento de seu registro no BID, sua situação profissional passa a depender da regularização documental e dos desdobramentos da investigação.
Até o momento, não há conclusão oficial de que o ex-jogador tenha participado conscientemente de qualquer fraude.
Fonte: UOL, ge e CBF.
Foto: Reprodução/Redes sociais
