Perícias da Polícia Federal analisaram imagens de câmeras corporais, fotografias e laudos cadavéricos da ação de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 121 mortos
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o encaminhamento à Procuradoria-Geral da República (PGR) de 118 laudos produzidos pela Polícia Federal sobre a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (8).
Do total de perícias, 12 foram feitas a partir das gravações das câmeras corporais de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. As outras 106 tiveram como base fotografias e laudos cadavéricos fornecidos pela própria Polícia Civil fluminense. A PF também entregou ao ministro uma análise do conteúdo dos vídeos da Core. Todo o material chegou ao Supremo armazenado em um HD externo e em pendrives.
No despacho, Moraes pediu que a PGR respeite rigorosamente o sigilo das informações e as regras de cadeia de custódia das provas.
Perícia foi pedida dentro da ADPF das Favelas
A análise técnica foi determinada em fevereiro deste ano, no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas. Na ocasião, o ministro apontou contradições nas manifestações enviadas ao STF e deu prazo de cinco dias para o governo do estado repassar à PF todas as imagens da operação, além de 15 dias para a conclusão dos laudos.
Moraes também cobrou do Ministério Público do Rio esclarecimentos sobre sua participação nas diferentes fases da ação e questionou por que o Gaeco atuou no caso, e não o Gaesp, grupo responsável pelo controle externo da atividade policial. O Conselho Nacional de Justiça foi acionado para informar sobre a análise do plano de reocupação territorial apresentado pelo governo fluminense em dezembro de 2025.
O despacho menciona ainda um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados que aponta indícios de execuções, tortura, ocultação de cadáveres e alteração de cenas de crime. As conclusões são do relatório parlamentar e não representam decisão definitiva do Supremo.
Relembre a operação
Cerca de 2.500 policiais civis e militares participaram da ação, que tinha como objetivo conter o avanço territorial do Comando Vermelho e cumprir aproximadamente 100 mandados de prisão. Segundo os números divulgados, 121 pessoas morreram, o que faz da Operação Contenção a mais letal já registrada no país, superando o Massacre do Carandiru. Foram presas 113 pessoas e apreendidas 118 armas, entre elas 91 fuzis. Após a crise, os governos federal e estadual anunciaram um escritório conjunto de combate ao crime organizado.
Com informações da CNN Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil (arquivo, outubro de 2025).

