Estudo do Instituto Oswaldo Cruz analisou amostras do Rio Irajá, Rio Carioca, Canal do Cunha, Canal do Mangue e Rio Meriti; contaminação foi maior no verão
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) detectaram cocaína e benzoilecgonina, principal substância produzida pelo organismo após o consumo da droga, em cinco cursos d’água da Região Metropolitana do Rio. Foram avaliados o Rio Irajá, o Rio Carioca, o Canal do Cunha e o Canal do Mangue, na capital, e o Rio Meriti, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Todos desembocam na Baía de Guanabara. O resultado foi divulgado na última quarta-feira (7).
Pico em janeiro
A equipe fez coletas mensais entre 2022 e 2023, somando 60 amostras. Apenas uma delas não continha cocaína, e todas tiveram resultado positivo para benzoilecgonina, que chega aos rios principalmente pelo esgoto. A presença das substâncias foi mais alta na estação chuvosa, entre outubro e março, com o maior pico registrado em janeiro, mês de férias e festas. Segundo os pesquisadores, os níveis encontrados superam os de levantamentos semelhantes feitos na Bélgica, na Espanha e nos Estados Unidos.
O trabalho também avaliou os efeitos sobre a vida aquática em testes com embriões de peixe-zebra. A exposição provocou mortes, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas nos animais.
Pesquisa foi ampliada para 13 rios
O estudo foi coordenado por Enrico Saggioro, do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental do IOC, e teve como primeiro autor Gabriel de Farias Araujo, que desenvolveu a pesquisa no doutorado em Saúde Pública e Meio Ambiente da Ensp/Fiocruz. Os dados foram publicados na revista científica internacional Aquatic Toxicology. Uma segunda etapa já ampliou a análise para 13 rios fluminenses, com coletas feitas entre dezembro de 2023 e novembro de 2024. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2027.
Com informações da CNN Brasil e da Fiocruz. Imagem ilustrativa gerada por IA.

