Iniciativa realizada no bairro Wona ensinou mulheres a reaproveitar o resíduo e alertou sobre os danos causados pelo descarte incorreto, que pode contaminar milhares de litros de água

O óleo de cozinha que normalmente seria descartado ganhou uma nova utilidade em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Durante uma oficina promovida pela Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea, mulheres atendidas pela ONG Futuro Brilhante, no bairro Wona, aprenderam a transformar óleo usado em velas artesanais decorativas.

Além de estimular a criatividade e o reaproveitamento de materiais, a atividade teve como objetivo conscientizar as participantes sobre os riscos do descarte inadequado do óleo de cozinha, um dos resíduos que podem provocar problemas nas redes de esgoto e causar danos ao meio ambiente.

Segundo informações da concessionária, um único litro de óleo descartado incorretamente pode contaminar até 25 mil litros de água.

Mulheres aprendem a transformar óleo usado em decoração

Durante a oficina, as participantes descobriram como reaproveitar o óleo de cozinha na produção de velas artesanais de diferentes cores.

A atividade mostrou que um material frequentemente tratado como lixo pode ganhar uma segunda utilidade, contribuindo para a redução de resíduos e incentivando práticas sustentáveis dentro de casa.

A iniciativa também proporcionou um momento de aprendizado e integração entre as mulheres atendidas pela ONG Futuro Brilhante.

Moradora do bairro Maringá, vizinho ao Wona, Eliane Freitas participou da atividade e comemorou a oportunidade de aprender uma nova técnica.

“Foi muito legal. A gente veio ao Futuro Brilhante, participou da oficina e cada uma fez a sua velinha. Eu adorei saber que dá para fazer de várias cores. A Águas do Rio já esteve aqui em outros momentos, trazendo orientações sobre os cuidados com a água e com as caixas-d’água, e agora aprendemos algo diferente. Achei ótimo, ainda mais agora, com o Natal chegando”, contou.

Descarte incorreto pode provocar entupimentos e vazamentos de esgoto

Quando despejado diretamente na pia, no ralo ou no vaso sanitário, o óleo de cozinha pode se acumular nas tubulações e formar blocos de gordura.

Com o passar do tempo, esse acúmulo pode provocar entupimentos, obstruções e extravasamentos de esgoto, afetando o funcionamento da rede e trazendo transtornos para os moradores.

Além dos problemas de infraestrutura, o descarte inadequado representa uma ameaça aos recursos hídricos, já que o resíduo pode alcançar rios, canais e lagoas.

Para Marcelo Farinha, coordenador de Responsabilidade Social da Águas do Rio, a conscientização da população é fundamental para prevenir esses problemas.

“Quando a gente conversa com a população sobre o descarte adequado, ajuda a evitar obstruções na rede, vazamentos e extravasamentos de esgoto. Também contribuímos para reduzir situações que podem favorecer a disseminação de doenças de veiculação hídrica. É um cuidado que começa dentro de casa, mas que traz benefícios para toda a comunidade e para o meio ambiente”, explicou.

ONG mantém ponto de coleta de óleo usado

O trabalho de conscientização desenvolvido em Belford Roxo não se limita à realização da oficina.

A ONG Futuro Brilhante também conta com um ecoponto destinado ao recebimento de óleo de cozinha usado e participa do programa De Olho no Óleo, iniciativa que incentiva a destinação adequada desse tipo de resíduo.

A orientação é que, depois de utilizado, o óleo seja deixado esfriar e armazenado em uma garrafa PET bem fechada.

Em seguida, o recipiente deve ser encaminhado a um ponto de coleta apropriado.

O procedimento evita que o material seja despejado nas tubulações e contribui para a preservação do meio ambiente.

Ações sustentáveis também ajudam a proteger a Baía de Guanabara

As atividades de conscientização fazem parte de um conjunto de iniciativas voltadas à preservação dos recursos hídricos e à melhoria das condições de saneamento.

Segundo a Águas do Rio, as intervenções realizadas pela concessionária impedem atualmente que 136 milhões de litros de esgoto cheguem diariamente à Baía de Guanabara.

Enquanto os investimentos em infraestrutura ampliam a coleta e o tratamento de esgoto, medidas simples adotadas pela população também contribuem para o funcionamento adequado das redes.

Em Belford Roxo, a oficina mostrou que pequenas mudanças de hábito podem produzir resultados importantes.

Ao transformar óleo usado em velas artesanais, as participantes aprenderam uma alternativa de reaproveitamento e receberam orientações para evitar que o resíduo provoque danos às tubulações e aos recursos naturais.

A iniciativa reforça que a preservação ambiental começa com atitudes cotidianas e pode envolver toda a comunidade.

Fonte: Águas do Rio.