Familiares de Marielle Franco durante ato em memória da vereadora no Rio de JaneiroFamiliares durante ato em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, em março de 2025. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Luyara Franco relata que vereadora assassinada em 2018 foi chamada de “macaca” em grupo de WhatsApp; universidade abriu investigação interna

A memória da vereadora Marielle Franco voltou a ser alvo de ofensas. Desta vez, os ataques racistas partiram de um grupo de WhatsApp formado por pessoas ligadas à PUC-Rio, na Gávea, Zona Sul do Rio, universidade onde Marielle se formou em Sociologia. A denúncia foi feita na noite desta sexta-feira (30) pela filha da parlamentar, Luyara Franco, que cobra apuração e punição dos responsáveis.

De acordo com Luyara, um participante do grupo se referiu à mãe dela com o termo “macaca” e ainda colocou em dúvida a forma como ela teria custeado os estudos. A data em que as mensagens foram enviadas não foi informada.

“Racismo é crime”

Em publicação nas redes sociais feita em conjunto com o Instituto Marielle Franco, Luyara classificou os comentários como racismo e afirmou que espera “respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio”. “Racismo é crime!”, escreveu.

O que diz a universidade

A PUC-Rio informou que recebeu denúncias sobre o caso pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias e que abriu uma investigação interna. A instituição disse que vai adotar as medidas administrativas e legais cabíveis e que repudia qualquer manifestação discriminatória, incluindo racismo e injúria racial. A universidade também divulgou uma nota à comunidade acadêmica reafirmando o compromisso com a educação antirracista e com a preservação da memória de Marielle.

Segundo episódio em poucas semanas

Não é a primeira vez neste mês que a vereadora é atacada nas proximidades da universidade. No dia 13, durante um ato de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) perto da PUC-Rio, um manifestante em carro de som ironizou o assassinato, dizendo que Marielle “está com papai do céu” ou “no colo do capeta”. Na ocasião, Luyara e a irmã de Marielle, Anielle Franco, publicaram vídeos em defesa da memória da vereadora.

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros em março de 2018, no Centro do Rio. Os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram a execução, foram condenados em 2024. Também foram condenados pelo crime Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald de Paula e Robson Calixto.

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Com informações de Enfoco, PUC-Rio e Instituto Marielle Franco. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (arquivo, março de 2025).