Fachada do Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em BrasíliaFachada do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (arquivo)

Encarregada de negócios da Argentina em Brasília foi chamada ao Ministério das Relações Exteriores após o senador deixar o país por Puerto Iguazú rumo aos Estados Unidos

O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da embaixada da Argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para prestar esclarecimentos sobre o papel do governo de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A informação foi confirmada na sexta-feira (30) por duas fontes do governo brasileiro.

Segundo os relatos, a diplomata foi recebida na noite de quinta-feira (29) pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, diretor do Departamento de América do Sul do Itamaraty, em uma conversa descrita como rápida. Na diplomacia, a convocação é um gesto formal usado para registrar insatisfação com a conduta de outro país. Oficialmente, o ministério não comentou o caso.

Saída pela fronteira

Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, no último domingo (25), Flávio desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28). Ele partiu do aeroporto de Puerto Iguazú, no lado argentino da fronteira, a bordo de um jato fretado pelo governo norte-americano. Veículos de imprensa da Argentina relatam envolvimento direto de integrantes do governo Milei na operação, incluindo escolta da polícia aeroportuária até o embarque.

Ao viajar, o senador descumpriu ordem judicial que determinava a entrega dos passaportes e o proibia de deixar o país. Ele é investigado em inquérito que apura lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em carta divulgada na quinta-feira, Flávio agradeceu publicamente ao presidente argentino.

Relação estremecida

Cortés comanda a representação argentina no Brasil desde o fim de julho, quando a crise entre os dois governos se agravou. Milei veio ao país para o lançamento da candidatura de Flávio, ofendeu Lula e repetiu os ataques em entrevistas e nas redes sociais. Em resposta, o Brasil retirou o embaixador Júlio Bitelli de Buenos Aires e rebaixou o nível das relações; o embaixador argentino Daniel Ribondi também deixou Brasília.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que o governo brasileiro não pediu explicações. Uma das fontes ouvidas avaliou que não há perspectiva de melhora no relacionamento bilateral no curto prazo, já que a ajuda na viagem do senador é vista em Brasília como mais um episódio de interferência argentina na política interna do país.

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Com informações da Agência Brasil e da Reuters. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (arquivo).