Douglas Ruas, governador eleito do estado do Rio de JaneiroDouglas Ruas, governador eleito do Rio de Janeiro. Foto: Thiago Lontra/Alerj

Ação de investigação judicial eleitoral aponta suspeitas de compra de votos, coação de eleitores e propaganda enganosa e pede inelegibilidade por oito anos

A campanha de Eduardo Paes (PSD), derrotado na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, protocolou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o governador eleito Douglas Ruas (PL) e a vice eleita Fernanda Louback. O pedido inclui a cassação da chapa, a anulação dos votos recebidos e a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos.

Segundo a ação, teria havido uma estratégia “coordenada” de desinformação e manipulação do eleitorado, com suspeitas de compra de votos, coação de eleitores e propaganda eleitoral enganosa.

O que a ação aponta

Entre os pontos citados está um panfleto intitulado “Douglas Ruas – Evangélico”, com tiragem atribuída de 100 mil exemplares e supostamente pago com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que associava a Paes posições sobre aborto, legalização das drogas e banheiros unissex. A campanha também questiona materiais que vinculavam Paes ao presidente Lula (PT) exibindo o número 13 — o número de Paes nas urnas era o 55. Para os advogados, isso pode ter confundido eleitores: 204.309 votos para governador digitados no 13 foram anulados. Ruas venceu no primeiro turno com 4.271.199 votos (50,88% dos válidos), contra 3.706.984 (44,16%) de Paes.

O pedido menciona ainda a apreensão de R$ 600 mil em espécie em Niterói com Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL), e a apreensão, no dia da eleição, de material de campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em dinheiro dentro de um carro. Também cita relatos de pagamentos de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos. A campanha pede que plataformas digitais informem dados de mais de 60 perfis e solicita acesso a investigações da Polícia Federal, da Polícia Civil e do Ministério Público Eleitoral.

As acusações ainda serão analisadas pelo TRE-RJ e não representam comprovação de irregularidades. A reportagem não localizou manifestação de Douglas Ruas, de Fernanda Louback ou da campanha deles até a publicação; o espaço segue aberto.

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Com informações da Rádio Manchete Rio. Foto: Thiago Lontra/Alerj.