Vigilantes afirmaram à Polícia Civil que não havia responsável pela gestão do campus no local; universidade informou que mantém sindicância para apurar o episódio

Novos depoimentos prestados à Polícia Civil trouxeram detalhes sobre a agressão sofrida pelo estudante de História Diego Costa da Silva Araujo, de 27 anos, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Centro.

Vigilantes patrimoniais que trabalhavam no campus afirmaram que tentaram acionar responsáveis pela administração durante a confusão, mas não encontraram integrantes da direção ou responsáveis pela área patrimonial no prédio naquele momento.

O episódio aconteceu no dia 25 de agosto, após um grupo de estudantes entrar em uma sala de aula e abordar Diego sob a acusação de que ele estaria fazendo apologia ao nazismo. O estudante nega a acusação.

Diego usava uma camiseta da banda britânica Death in June com uma imagem semelhante à Totenkopf, símbolo utilizado por tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Ele também carregava um broche antinazista, com uma suástica riscada.

Segundo os depoimentos, a professora que ministrava a aula pediu ajuda à segurança diante do aumento da tensão. Um dos vigilantes teria feito ligações em busca de responsáveis pela administração, mas informou que não havia ninguém da direção ou da gestão patrimonial disponível no prédio.

Os seguranças também relataram que tentaram acalmar os estudantes, sem sucesso. A confusão reuniu dezenas de pessoas e terminou com Diego sendo agredido dentro e fora das dependências da universidade.

Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou lesões na cabeça, coxas e joelhos do estudante.

Os vigilantes ouvidos pela Polícia Civil afirmaram ainda não ter presenciado Diego fazendo apologia ao nazismo ou proferindo ofensas contra outros estudantes. Por outro lado, alunos envolvidos no episódio acusam Diego de ter agredido um estudante e cometido injúria racial. Ele nega as acusações.

O caso é investigado pela 1ª DP (Praça Mauá), que analisa imagens e depoimentos para esclarecer as circunstâncias das agressões e as acusações feitas durante o episódio.

A UFRJ informou que não teve acesso aos depoimentos dos vigilantes e, por isso, não comentou o conteúdo das declarações. A universidade afirmou que continua apurando internamente o caso por meio de uma sindicância.

Após o episódio, o IFCS também divulgou orientações para situações de conflito, reforçando que professores e estudantes não devem realizar contenção física ou retirar pessoas à força do campus.

Fonte: Folha de S.Paulo / Polícia Civil

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