Rivais planejam entrar em campo com a frase “Proibir não é proteger” no lugar dos patrocinadores principais; medida do governo federal afeta contratos milionários dos clubes brasileiros

Flamengo e Fluminense vão deixar a rivalidade de lado em uma manifestação conjunta contra a proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. Os dois clubes cariocas planejam utilizar o clássico de domingo (11), às 17h30, no Maracanã, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, para protestar contra a medida provisória editada pelo governo federal.

Segundo informações divulgadas pelo UOL nesta sexta-feira (9), as equipes devem entrar em campo com a frase “Proibir não é proteger” estampada no espaço normalmente reservado aos patrocinadores principais de seus uniformes.

A iniciativa ocorre após a entrada em vigor da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que proibiu a exploração e a publicidade de apostas esportivas de quota fixa no país.

Flamengo já protestou contra o Santos

O Flamengo antecipou a manifestação na quinta-feira (8), durante o empate por 2 a 2 com o Santos, na Vila Belmiro.

Na ocasião, os jogadores rubro-negros entraram em campo com a mensagem “Proibir não é proteger” estampada na parte frontal da camisa, substituindo a marca da Betano, antiga patrocinadora máster do clube.

A manifestação também foi registrada na súmula da partida pelo árbitro Anderson Daronco, que informou que a mensagem não havia sido previamente comunicada à equipe de arbitragem.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, tem se manifestado contra a proibição das apostas, principalmente pelos impactos financeiros sobre os clubes.

Fluminense também adere à manifestação

O Fluminense, que mantinha contrato de patrocínio com a Superbet, também decidiu participar do protesto.

Na partida contra o Coritiba, disputada na quinta-feira (8), o Tricolor utilizou a marca Superscore, plataforma de estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo empresarial da antiga patrocinadora.

Para o clássico contra o Flamengo, a previsão é de que o clube também apresente a mensagem contrária à medida provisória.

O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, já sinalizou que não pretende buscar imediatamente um novo patrocinador máster, diante da possibilidade de mudanças na legislação.

Clubes recorrem ao Supremo Tribunal Federal

Além das manifestações nos estádios, Flamengo e Fluminense solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para participar, como interessados, da ação que questiona a medida provisória.

Os clubes alegam que a proibição afeta contratos comerciais firmados anteriormente e provoca insegurança jurídica no futebol brasileiro.

A suspensão das atividades das casas de apostas também levou outras equipes da Série A a modificar seus uniformes, substituir marcas patrocinadoras ou deixar espaços publicitários vazios.

Segundo estimativas divulgadas pela imprensa esportiva, os impactos financeiros da medida podem ultrapassar R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio dos clubes da primeira divisão.

Governo defende proteção da população

O governo federal justifica a proibição com base nos impactos sociais e financeiros associados às apostas esportivas, especialmente o endividamento das famílias e os riscos de dependência em jogos.

A Advocacia-Geral da União defende a manutenção das restrições, argumentando que a medida busca proteger consumidores e reduzir prejuízos provocados pelo crescimento do mercado de apostas.

Por outro lado, entidades representativas das empresas do setor afirmam que a proibição pode estimular a migração de apostadores para plataformas clandestinas, que não oferecem os mesmos mecanismos de fiscalização e proteção existentes no mercado regulamentado.

O tema também provoca divergências entre torcedores e comentaristas esportivos, que questionam o envolvimento dos clubes na defesa comercial das empresas de apostas.

Decisão ainda pode mudar

A medida provisória está em vigor desde 6 de outubro, mas depende de análise do Congresso Nacional para sua continuidade.

Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal analisa questionamentos judiciais apresentados por entidades do setor.

Enquanto não houver uma decisão definitiva, os clubes precisam adaptar seus contratos comerciais e estratégias de patrocínio às restrições estabelecidas.

No domingo, Flamengo e Fluminense devem transformar o clássico no Maracanã em mais um espaço de manifestação sobre o futuro das apostas esportivas no futebol brasileiro.

Fontes: UOL, ge, CNN Brasil e Folha de S.Paulo.

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo