Com prazo da Conmebol chegando ao fim, Cruz-Maltino tenta garantir estádio para partida decisiva da Copa Sul-Americana; Ministério Público defende utilização do Maracanã
O Vasco vive uma corrida contra o tempo para definir onde enfrentará o Boca Juniors, da Argentina, no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana. A partida está marcada para o dia 20 de outubro, às 21h30, mas a utilização do Maracanã continua cercada de impasses jurídicos e administrativos.
Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta sexta-feira (9), a falta de avanços nas negociações com Flamengo e Fluminense, responsáveis pela administração do Maracanã, aumenta a possibilidade de o confronto acontecer no Estádio Nilton Santos, utilizado pelo Botafogo.
O presidente vascaíno, Pedrinho, mantém a preferência pelo Maracanã, mas enfrenta resistência dos dois clubes administradores e decisões judiciais desfavoráveis.
Flamengo e Fluminense resistem à liberação
O principal argumento apresentado pelo Consórcio Fla-Flu para negar a utilização do Maracanã é a necessidade de preservar o gramado diante da sequência de partidas previstas para o estádio.
O Flamengo, presidido por Luiz Eduardo Baptista, tem adotado uma posição pública contrária à liberação. Já o Fluminense, comandado por Mattheus Montenegro, mantém uma postura mais discreta, embora também sustente os argumentos técnicos apresentados pela administração.
O gramado do Maracanã passou recentemente por uma troca e voltou a receber partidas nesta quinta-feira (8), quando o Fluminense goleou o Coritiba por 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro.
A preocupação dos administradores é que a realização de mais um jogo em um calendário apertado comprometa as condições do campo.
Ministério Público defende o Maracanã
A disputa ultrapassou os bastidores do futebol e chegou ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
O órgão recomendou que o Consórcio Fla-Flu disponibilize o Maracanã para o confronto entre Vasco e Boca Juniors, considerando principalmente questões de segurança pública e mobilidade urbana.
A recomendação foi fundamentada em avaliação da Polícia Militar, que classificou São Januário como inadequado para receber uma partida com as características do confronto internacional.
Segundo o Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios (Bepe), a presença de um grande número de torcedores argentinos exige cuidados adicionais com acessos, separação das torcidas e deslocamentos no entorno do estádio.
O órgão considera o Maracanã a alternativa mais adequada para o evento, embora reconheça que o Nilton Santos também reúne condições para receber a partida.
O Ministério Público encaminhou a questão ao governo estadual, sugerindo uma intervenção diante do interesse público envolvido.
São Januário enfrenta restrições
A preferência inicial do Vasco era realizar a partida em São Januário, estádio tradicional do clube, na Zona Norte do Rio.
Entretanto, o regulamento da Conmebol estabelece exigências de capacidade para os jogos das semifinais da Copa Sul-Americana, incluindo a necessidade de acomodar pelo menos 30 mil torcedores.
Além da capacidade, o estádio vascaíno enfrenta restrições relacionadas à operação de segurança para receber um contingente expressivo de torcedores visitantes.
A Polícia Militar manifestou preocupação com as condições de acesso e dispersão do público, especialmente diante da rivalidade entre as torcidas e da importância da partida.
Nilton Santos ganha força como alternativa
Com as dificuldades para utilizar São Januário e o Maracanã, o Estádio Nilton Santos aparece como uma alternativa para o Vasco.
O local, administrado pelo Botafogo, possui estrutura para receber partidas internacionais e foi considerado viável pelas autoridades de segurança.
Entretanto, a utilização do estádio também envolve negociações administrativas e questões relacionadas ao gramado sintético, que já provocou resistência por parte do Boca Juniors.
Segundo o UOL, até a publicação da reportagem desta sexta-feira, o Vasco ainda não havia formalizado um pedido ao Botafogo para utilizar o estádio.
Prazo termina neste sábado
A Conmebol estabeleceu o dia 10 de outubro como prazo para a definição do estádio que receberá a partida de volta.
O Vasco chegou a estudar a possibilidade de levar o confronto para outro estado, mas manteve a decisão de disputar o jogo no Rio de Janeiro.
O clube também recorreu à Justiça para tentar garantir o direito de utilizar o Maracanã.
Na primeira decisão, a Justiça do Rio negou o pedido de liminar apresentado pelo Vasco, considerando a existência de divergências técnicas sobre as condições de preservação do gramado.
Confronto decisivo pela Sul-Americana
Vasco e Boca Juniors disputam uma vaga na final da Copa Sul-Americana.
O primeiro confronto está marcado para terça-feira (13), às 21h30, na Bombonera, em Buenos Aires.
A partida de volta será realizada no dia 20 de outubro, também às 21h30, no Rio de Janeiro.
Enquanto a equipe se prepara para o confronto internacional, a diretoria trabalha para solucionar a questão do estádio e organizar a venda de ingressos e a logística necessária para receber os torcedores.
Fontes: UOL, ge, Agência Brasil e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
