Deputado Yuri Moura identifica servidor ligado ao gabinete do vereador Octávio Sampaio em mensagem que propõe boicote a empresas e profissionais de esquerda. Episódio ocorre um dia após decisão judicial contra deputada estadual por incentivar discriminação política.

Uma denúncia envolvendo um assessor parlamentar de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, ganhou repercussão nesta quarta-feira (28), após o deputado estadual Yuri Moura (PSOL) divulgar um vídeo com mensagens de um grupo de WhatsApp que propõem o boicote a empresas e profissionais identificados com a esquerda.

O parlamentar aponta Rodrigo Dias Paes Siqueira, identificado como coordenador-geral do gabinete do vereador Octávio Sampaio, como o responsável por uma das mensagens apresentadas.

No vídeo, Yuri exibe uma captura de tela de uma conversa no grupo denominado “Carreata”. O participante identificado como Rodrigo Dias propõe a criação de uma lista de estabelecimentos e profissionais que seriam alvo de boicote por suas posições políticas.

“Vamos montar aqui uma lista de empresas de esquerdista para boicote. Vamos prestigiar nós mesmos”, diz um trecho da mensagem.

O autor também sugere que os participantes organizem a relação ao longo da semana, identificando empresas e profissionais de esquerda em Petrópolis.

Para sustentar a identificação do participante, Yuri Moura apresenta um registro funcional atribuído a Rodrigo Dias Paes Siqueira, com informações sobre o cargo ocupado na Câmara Municipal.

A denúncia não demonstra que o vereador Octávio Sampaio tenha participado da conversa ou autorizado a iniciativa atribuída ao assessor.

Lista com mais de 100 nomes provoca reação

A denúncia surge após a circulação de uma lista com mais de 100 estabelecimentos comerciais e profissionais de Petrópolis apontados como apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O material incentiva consumidores a deixar de frequentar determinados estabelecimentos e contratar serviços de pessoas identificadas com o campo político adversário.

A divulgação provocou manifestações contrárias de entidades empresariais e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município.

Yuri Moura encaminhou representações ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando a identificação dos responsáveis e a investigação de possíveis práticas de discriminação, intimidação e retaliação econômica.

Ainda não está comprovado que a mensagem atribuída ao assessor tenha dado origem à lista que circula na cidade.

Caso acontece após decisão judicial contra Índia Armelau

A denúncia em Petrópolis ocorre em meio à repercussão de outro episódio envolvendo uma parlamentar fluminense.

Na terça-feira (27), a Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) deixasse de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir funcionários por suas convicções políticas.

A decisão ocorreu após uma publicação na qual a deputada sugeriu que empresários verificassem as redes sociais de seus empregados para identificar manifestações de apoio a Lula.

O Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação civil pública contra a parlamentar e pediu indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

A Justiça também determinou a retirada das publicações questionadas, estabelecendo prazo de 48 horas e multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

Em sua defesa, Índia Armelau afirmou que a mensagem havia sido interpretada de maneira equivocada, negou ter incentivado demissões por posicionamento político e informou que retirou a publicação.

Os episódios de Petrópolis e da deputada estadual são distintos, e não há elementos que comprovem uma atuação conjunta entre os envolvidos.

Deputado cobra investigação

Yuri Moura classificou a divulgação das listas como uma forma de perseguição política capaz de prejudicar o sustento de trabalhadores e empresários.

O parlamentar também solicitou uma reunião com representantes das forças de segurança, do Ministério Público e da Defensoria Pública para discutir denúncias semelhantes em outros municípios fluminenses.

A investigação deverá esclarecer a autoria das listas, a participação dos envolvidos e a eventual existência de infrações legais.

Rodrigo Dias Paes Siqueira e o vereador Octávio Sampaio têm direito de apresentar suas versões sobre as acusações. Não havia manifestação dos dois confirmada nas informações disponíveis para esta reportagem.