“Neutralizados” estreia no dia 6 de novembro, no Teatro Firjan SESI Caxias, e utiliza teatro, música e projeções para discutir violência, resistência e o direito à vida nas comunidades cariocas

A memória das favelas, os impactos da militarização e a resistência cultural dos moradores são os temas centrais do espetáculo “Neutralizados”, que será apresentado gratuitamente no dia 6 de novembro, às 20h, no Teatro Firjan SESI Caxias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Criada por artistas do Complexo da Maré e de outras comunidades do Rio de Janeiro, a montagem parte da ocupação militar da Maré, em 2014, durante os preparativos para a Copa do Mundo, para provocar reflexões sobre as políticas de segurança pública e a maneira como os territórios populares são retratados pela sociedade.

Com dramaturgia de Matheus Frazão e encenação de Renata Tavares, a peça combina música, projeções audiovisuais e diferentes linguagens teatrais para apresentar as contradições do cotidiano nas favelas, marcado tanto pela violência quanto pela criatividade, pela solidariedade e pelas manifestações culturais.

Memória da Maré inspira espetáculo

A montagem é inspirada no livro Militarização e Censura – A luta pela liberdade de expressão na Favela da Maré, da jornalista e comunicadora social Gizele Martins.

A obra discute os impactos da presença militar no território e os desafios enfrentados pelos moradores para exercer o direito à liberdade de expressão.

No palco, essas questões são apresentadas a partir das experiências de quem vive nas comunidades, questionando estereótipos e valorizando a memória coletiva.

Segundo a encenadora Renata Tavares, a proposta é mostrar diferentes realidades que coexistem dentro da favela.

“O que me interessa para esse espetáculo é que a plateia esteja diante de dois universos que acontecem concomitantemente na favela. Um pouco da sensação limite que se tem diariamente, que traduzo e diluo, ora em cenas muito tensas, ora em cenas que mostram o que há de mais fascinante em morar nela”, explica.

Cultura e resistência ganham espaço no palco

Além de abordar os impactos da violência, “Neutralizados” destaca a importância do samba, das tradições religiosas de matriz africana, da convivência comunitária e das manifestações culturais presentes nas favelas.

O dramaturgo Matheus Frazão afirma que a montagem procura romper com a ideia de que os territórios populares podem ser definidos exclusivamente pela violência.

“A violência e as opressões vividas nas favelas cariocas são o retrato de um Brasil escravocrata, fruto da exploração. Entretanto, não somos reduzidos a esse estigma. Enquanto muitos afirmam com propriedade que a favela é um lugar violento, rebato: ela é e tem sido violentada”, destaca.

Para o autor, o espetáculo também representa uma reivindicação pelo direito à dignidade, à ancestralidade e à preservação das histórias construídas nesses territórios.

Produção reúne artistas de comunidades cariocas

O espetáculo é uma realização do Coletivo de Teatro da Maré, formado por artistas que utilizam a linguagem teatral como instrumento de valorização das experiências e da identidade cultural das favelas.

O elenco reúne Carlos Emanoel, Heloiza Cintra, Jade Cardozo, Kátiaa Deusa e Thiago Manzotti.

A trilha musical é assinada por Matheus Tavares, enquanto a pesquisa audiovisual e sonora fica sob responsabilidade de Edson Martins.

A montagem foi contemplada pelo edital Mosaico Rio, da Firjan SESI, iniciativa voltada ao incentivo e à circulação de produções artísticas.

Apresentação terá acessibilidade em Libras

A sessão em Duque de Caxias contará com intérprete de Libras, ampliando o acesso do público ao espetáculo.

Com duração de 60 minutos e classificação indicativa de 12 anos, a apresentação é gratuita.

Serviço

Espetáculo: Neutralizados
Data: 6 de novembro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro Firjan SESI Caxias
Endereço: Rua Arthur Neiva, 100, Centro, Duque de Caxias
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: Intérprete de Libras na apresentação