Monólogo escrito e protagonizado por Vicente Valle, com direção de Alexandre Dal Farra, acompanha um jovem que perde o controle da própria vida e busca respostas para suas frustrações na internet
Uma comédia sobre fracassos, solidão e as dificuldades dos homens em lidar com as próprias emoções chega aos palcos cariocas em novembro. O espetáculo “As coisas que me tiram o sono”, escrito e protagonizado por Vicente Valle, estreia no dia 3 de novembro, às 20h, no Teatro Poeirinha, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Com direção de Alexandre Dal Farra, o monólogo apresenta a história de um jovem de vinte e poucos anos que vê sua vida desmoronar após a morte do pai. Em pouco tempo, ele perde o emprego, a namorada e o apartamento, mergulhando em uma sequência de frustrações que o leva a acreditar que o mundo está conspirando contra ele.
Entre situações absurdas e momentos de humor ácido, o personagem tenta recuperar o controle da própria existência, enquanto enfrenta questões relacionadas à masculinidade, à vulnerabilidade emocional e à influência das redes sociais.
Masculinidade e frustração no centro da história
A montagem propõe uma reflexão sobre uma geração que encontra dificuldades para expressar sentimentos e acaba buscando respostas em ambientes virtuais.
Para Vicente Valle, o espetáculo investiga como frustrações pessoais podem se transformar em ressentimento e isolamento.
“No vácuo deixado pela masculinidade, que está espatifada, vemos homens desesperados para se agarrar a ideias arcaicas do que significa ser homem e uma legião de jovens frustrados, ressentidos e solitários, mergulhados em fóruns virtuais, pornografia e discursos de ódio, tentando encontrar algum sentido para as próprias frustrações”, analisa o ator e dramaturgo.
A proposta, segundo ele, não é justificar as atitudes do protagonista, mas permitir que o público compreenda os mecanismos que alimentam seus comportamentos contraditórios.
Personagem nasceu durante experiência nos Estados Unidos
A ideia do espetáculo surgiu durante um exercício de dramaturgia realizado por Vicente Valle na University of California, onde estudou durante um ano.
Na ocasião, o ator desenvolveu a figura de um homem que perde suas referências de masculinidade e passa a interpretar os próprios fracassos a partir de uma lógica distorcida.
A partir dessa experiência, nasceu o protagonista da peça, identificado apenas como “Cara”.
Embora Vicente esteja sozinho no palco, o personagem interage com outros dez personagens ao longo da narrativa, todos apresentados a partir de sua própria perspectiva.
O recurso transforma o protagonista em um narrador pouco confiável, já que suas versões dos acontecimentos nem sempre correspondem à realidade.
Direção explora vulnerabilidade masculina
O diretor Alexandre Dal Farra destaca que a peça também aborda a dificuldade de muitos homens em reconhecer e demonstrar fragilidade.
Pai de três filhos, ele afirma que a discussão sobre masculinidade atravessa diferentes gerações e possui dimensões pessoais e sociais.
“Vemos um homem vulnerável em cena, e a questão da masculinidade tóxica tem muito que ver com a incapacidade masculina de lidar com a própria vulnerabilidade”, observa.
A encenação aposta na proximidade entre ator e público para construir uma atmosfera que alterna situações cômicas, desconforto e reflexão.
Internet amplia conflitos do personagem
Outro tema importante da montagem é o papel da internet na construção de comportamentos e discursos.
O protagonista encontra nos ambientes virtuais um espaço para alimentar suas frustrações, entrando em contato com conteúdos que reforçam sentimentos de inadequação e ressentimento.
Vicente Valle considera que as redes sociais podem intensificar esses processos.
“Temos um algoritmo que privilegia o ódio, os fóruns sem lei da internet, onde você entra em contato com pessoas que reforçam os seus pensamentos autodepreciativos e paranoicos”, afirma.
Apesar das críticas, o espetáculo não pretende oferecer respostas definitivas.
“Pode esperar uma peça engraçada, honesta e que pode causar desconforto. Mas não tenho a pretensão de oferecer uma solução para nada disso”, destaca o autor.
Temporada segue até dezembro
“As coisas que me tiram o sono” ficará em cartaz no Teatro Poeirinha até 16 de dezembro, com apresentações às terças e quartas-feiras, sempre às 20h.
A montagem tem duração de 90 minutos e classificação indicativa de 16 anos.
Serviço
Espetáculo: As coisas que me tiram o sono
Temporada: 3 de novembro a 16 de dezembro de 2026
Dias e horários: Terças e quartas-feiras, às 20h
Local: Teatro Poeirinha
Endereço: Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 90 minutos
Bilheteria: Terça-feira a sábado, das 15h às 20h; domingos, das 15h às 19h
Telefone: (21) 2537-8053
